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04/01/19 - 15h32 - atualizada em 04/01/19 às 15h40

Tenente Spak orienta como se precaver em situações de perigo que envolvem incêndios

Morador do Alto da Glória morreu em incêndio no início da madrugada desta quinta (3)

Da redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

Tenente Carla Spak, subcomandante do 10º Subgrupamento Independente de Bombeiros de Irati, prestou importantes orientações para evitar incêndios

Depois da tragédia que vitimou o morador do bairro Alto da Glória, Rafael Pires Minella, de 39 anos, num incêndio em casa, nossa reportagem conversou com a tenente Carla Spak, subcomandante do 10º Subgrupamento de Bombeiros Independente (SGBI) para comentar o caso e dar orientações sobre como se precaver nessas situações de perigo.

A tenente destaca que a casa onde Minella residia, na Rua Duque de Caxias, era mista, ou seja, de alvenaria e madeira, que propaga o fogo rapidamente e que, por isso, a estrutura desabou sobre a vítima. Dois policiais militares tentavam resgatar Minella quando a estrutura da casa ruiu.

“No momento em que os policiais tentavam fazer a retirada, houve o desabamento e isso faz com que haja aumento da caloria. É como quando derrubamos algo em cima de uma brasa e faz um vento do lado: esse vento tem uma caloria alta”, compara. “Isso fez com que os policiais se colocassem em risco naquele momento”, acrescenta. O Corpo de Bombeiros ainda aguarda o resultado da perícia para poder atestar como se iniciou o foco de incêndio. A perícia deve ser concluída em 40 dias.

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Segundo a tenente Spak, quando há um incêndio, os bombeiros precisam, primeiro, reduzir a caloria, isto é, fazer o resfriamento ou rescaldo, para poder entrar no local em segurança para resgatar as vítimas. “Infelizmente, nessa hora, o corpo já estava carbonizado. O incêndio pode demorar a começar. Mas, às vezes, o fluxo de ar, o oxigênio que o alimenta faz com que rapidamente se alastre. Chega a um ponto de caloria que todos os móveis da casa se incendeiam ao mesmo tempo. Posso ter uma situação de um incêndio que está queimando uma poltrona e, devido ao aumento da caloria nesta poltrona, pode incendiar um móvel distante três ou quatro metros dela. Eles vão incendiar ao mesmo tempo”, exemplifica.

“Foi o que aconteceu nesse incêndio. Foi aumentando a caloria até chegar ao ponto máximo. Toda a edificação foi tomada pelas chamas rapidamente. Numa caloria alta é muito difícil uma pessoa sobreviver”, diz.

Eletricidade

A subcomandante do 10º SGBI orienta a prestar atenção a elementos elétricos da casa, como focos onde a lâmpada sempre queima, tomadas que entram em curto-circuito ou fiação elétrica muito antiga. A recomendação principal é de evitar adiar esses reparos: depois pode ser tarde demais.

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Gás de cozinha

Também é preciso estar atento à validade da mangueira de GLP (o gás de cozinha ou gás liquefeito de petróleo), que tem vida útil máxima de cinco anos. Manter a mangueira do gás e a válvula do botijão sempre em dia contribui para evitar vazamentos e explosões.

Rotas de fuga

Na construção de imóveis residenciais, deve-se seguir à risca as normativas do Código de Prevenção a Incêndios, a fim de projetar e edificar as casas de modo a facilitar a saída em situações de perigo. “Sempre pensamos nessa prevenção em escritórios ou edificações maiores, onde tem reunião de público. Mas temos que pensar nisso também dentro de nossa casa. Pensamos na proteção para impedir que alguém entre na nossa casa e pratique um assalto e acabamos enchendo de grades, uma janela por onde o ladrão não entre. Mas e se eu precisar sair? Nessa situação, infelizmente, ocorreu isso. Todas as janelas com cadeados, com espaço pequeno, que não dava passagem para uma pessoa, grades na janela e apenas uma porta de acesso, de entrada e de saída, o que fez com que dificultasse a saída do Rafael”, aponta.

A sugestão da tenente para quem quer se precaver contra roubos e garantir saída facilitada do imóvel em situações de perigo é usar a grade pantográfica – uma grade de segurança retrátil, que pode ser aberta e trancada com chaves, colocada por dentro de janelas e portas. “Na família do meu esposo houve uma situação com vítima, pois ela não conseguiu sair da casa porque a janela era muito pequena”, complementa.

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Residência onde Rafael Pires Minella morava pegou fogo na madrugada desta quinta-feira, 03

Como ajudar

A primeira providência que uma pessoa que nota um princípio de incêndio na casa de um familiar, de um vizinho, é chamar o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193. “Nos últimos dias, tivemos três casos em que pessoas que moram em edificações mais altas, em apartamentos, notaram fumaça [em outras casas] e nos acionaram. Sempre vamos verificar”, ilustra.

“O incêndio precisa de um combustível, de oxigênio, de uma fonte de ignição e aí vai começar uma reação em cadeia, que é quando a caloria está mais elevada. Podemos ver uma fumaça e acreditar que essa queima está lenta porque não tem oxigênio. Até no momento em que vamos fazer a abertura de um imóvel nessas condições, temos que fazer com cautela e precaução. Por isso, antes damos a resfriada na fumaça, pois, se abrirmos a porta, tem um fenômeno chamado backdraft: na hora que o oxigênio entra, causa uma explosão automática naquele ambiente inteiro. Aí o ambiente inteiro se incendeia, porque só faltava oxigênio. A partir do momento em que você abre uma porta ou janela, ocorre a explosão desse ambiente inteiro”, explica.

A tenente também recomenda que a pessoa que aciona os bombeiros peça ao telefonista que instrua procedimentos que podem ser adotados até a chegada dos bombeiros para impedir que o fogo se prolifere rapidamente. “Se for um foco pequeno, pode-se usar até o extintor do carro”, diz.

No entanto, deve-se evitar entrar em uma casa incendiada, pois a abertura repentina de uma porta ou janela e a consecutiva entrada de oxigênio vai alimentar esse foco, que se prolifera por todo o ambiente e gera mais vítimas. “Quando for fazer a ventilação desse ambiente, fazer muito devagar”, acrescenta.

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Os policiais que atenderam à ocorrência no Alto da Glória na madrugada de quinta (3) chegaram a tentar resgatar a vítima, sem sucesso. “É muito difícil para nós, como seres humanos, e para os policiais, cujo treinamento é para salvaguardar as pessoas e os bens, então isso está intrínseco no nosso treinamento. Como policiais militares, eles têm esse treinamento e seria muito difícil escutar alguém pedir socorro e não prestarem esse socorro. Eles agiram da melhor forma possível, mas, com certeza, nesse caso, poderia ter acontecido alguma coisa pior, pois a parede e o teto vieram a colapsar e eles também poderiam ter ficado presos. Felizmente, eles conseguiram sair e, infelizmente, fica o trauma para eles, pois estavam tão próximos de salvar a vida do Rafael. É uma coisa que foge do controle”, lamenta.

Conforme a tenente Spak, o clima quente e seco contribui para o aumento nos focos de incêndio na mata, mas não interfere nas casas, onde costuma ocorrer mais casos de incêndio no inverno, quando as pessoas improvisam formas de prover aquecimento dos ambientes, algo que deve ser evitado.

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