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24/09/11 - 16h09 - atualizada em 24/09/11 às 16h12

Metade dos paranaenses não tem serviço de emergência médica

Apenas 15 municípios contam com ambulâncias do Samu. Prefeituras alegam que repasse de recursos é insuficiente para implantar o serviço
Gabriel Azevedo/Gazeta do Povo

Ambulância do Serviço Móvel de Urgência: agilidade no atendimento de uma emergência é crucial para evitar sequelas e até mesmo a morte do paciente
Cerca de 54% da população paranaense não é atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu. Apenas 15 das 399 cidades do estado se habilitaram para participar do programa do governo federal, lançado em 2004. A baixa adesão faz do Paraná o sexto estado que menos recebe recursos per capita do Ministério da Saúde para o Samu. Neste ano, até agora, foram R$ 9,2 milhões para uma população de 10,5 milhões. Segundo a Associação dos Municípios do Paraná (AMP), as prefeituras alegam não ter receita para implantar o serviço.

O Samu é uma peça da Política Nacional de Urgência e Emergência, lançada em 2003, com o objetivo de estruturar e organizar toda a rede deste segmento no país. Para participar, o município precisa estar interessado. O programa prevê o financiamento do governo federal (50%) e contrapartidas do estado (25%) e do município (25%). No entanto, mesmo que a União conceda as ambulâncias e os recursos mensais, o município precisa contratar médicos, enfermeiros e montar uma Central de Regulação, com atendentes. O que na prática aumenta o valor da contrapartida.

O presidente da AMP, o prefeito de Piraquara, Gabriel Jorge Samaha, o “Gabão”, reclama que os valores repassados são insuficientes. Mas, ressalta, isso não significa que os prefeitos não querem implantar o programa. “Todos reconhecem a importância do Samu. Mas os recursos são mínimos”, reclama. Segundo ele, a municipalização da saúde cria muitas limitações para as prefeituras, principalmente as pequenas, que não contam com grandes receitas de tributos como IPTU e ISS, e do Fundo de Participação dos Municípios.

Risco

A principal consequência da baixa adesão ao Samu no Paraná é a falta de um sistema de resposta rápido e eficiente de emergência. Uma temeridade para um estado que ocupa o 5º lugar em número de mortes por acidentes de trânsito e o 6.º por homicídios. Apenas no ano passado, 8 mil paranaenses morreram em decorrência da violência.

Na definição do próprio Ministério da Saúde, ao discar 192 (o telefone do Samu), a equipe presta atendimento no menor tempo possível já no local da ocorrência, salvando vidas e diminuindo sequelas. O programa direciona ainda para o serviço hospitalar mais próximo e adequado, diminuindo o tempo de resposta à emergência, o que é crucial.

De acordo com o neurocirurgião e socorrista do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) Samir Ale Bark, o atendimento feito por um Samu ou Siate é muito diferente do que os feitos por ambulâncias normais. “O nome diz tudo atendimento móvel de urgência’. É como se fosse um tentáculo móvel do hospital chegando até o paciente, em casa, na empresa, dentro de um restaurante”, diz. Na opinião dele, uma ambulância por município faria diferença.

O diretor da 2.a Regional de Saúde do Paraná, Matheos Chomatas, afirma que os municípios que não tem Samu não dispõem de atendimento móvel qualificado. “Um transporte adequado, que pode minimizar os prejuízos para o cidadão. No caso de um acidente, um atendimento e transporte não qualificados podem dobrar os riscos”, explica. Chomatas foi ex-diretor do Sistema de Urgências e Emer¬gências da Secretaria de Saúde de Curitiba.

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