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04/10/18 - 20h24 - atualizada em 04/10/18 às 21h39

Enfermeira sofre agressão com golpes de seringa

Três homens atacaram enfermeira enquanto ela chegava para trabalhar no Posto de Saúde da Vila Americana, em São Mateus do Sul

Da Redação, com informações da Difusora do Xisto 

Mariloy Aparecida Bamberger Zeni foi agredida por três homens quando chegava para trabalhar em um posto de saúde

Uma enfermeira foi agredida por três homens enquanto chegava para trabalhar no Posto de Saúde da Vila Americana, em São Mateus do Sul, na manhã de terça-feira (2). Em entrevista à Difusora do Xisto, concedida na quarta-feira (3), quando já estava em repouso, em casa, a vítima relatou que foi atacada com golpes de seringa.

De acordo com a enfermeira Mariloy Aparecida Bamberger Zeni, alguns dias antes do ataque, um homem foi até o Posto de Saúde e solicitou seringas. É praxe que as seringas sejam fornecidas no posto apenas mediante receita médica, que indique qual o tipo de medicação vai ser administrada, que demande aquelas seringas. A profissional disse também não conhecer o suposto paciente.

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O homem reagiu mal à recusa. “Ele foi embora me xingando e me apontando o dedo, como uma ameaça, dizendo ‘você vai ver, por não querer me dar a seringa’”, afirmou. Um dia antes do crime, os agressores ligaram para o Posto de Saúde, por volta de 12h, insistindo que precisavam de seringas. A vítima disse que voltou a ser xingada ao passar a orientação para que viessem ao posto tendo a receita médica em mãos. “Passei a ligação para meu supervisor e eles desligaram o telefone”, complementou.

Mariloy costuma ser a primeira a chegar ao Posto de Saúde e, com a proximidade de seu período de férias, ela chegou mais cedo ao local de trabalho nesta terça (2) para fechar o procedimento do mês de setembro. “Entrei, como de costume, por trás, pelo estacionamento, onde fica um matão e vi que tinha pessoas na frente aguardando que eu abrisse o Posto. Entrei, abri a porta e quando vi, fui puxada para trás e o rapaz falou: ‘nós queremos as seringas’”, contou.

A enfermeira pediu que eles se acalmassem e os levou até a Sala de Vacina com a pretensão de entregar seringas ao trio. No entanto, eles reclamaram que aquelas eram “seringas para criança” e derrubaram o material no chão. “Nisso, eles me deram a primeira punhalada [com uma seringa] na barriga. Vi que já tinha movimento lá fora e comecei a falar alto para que as pessoas escutassem”, acrescentou.

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A enfermeira chegou a tentar negociar com os agressores e disse que providenciaria as seringas que eles queriam, na Sala de Curativos. Mas eles foram implacáveis e deram uma segunda estocada com a agulha de uma seringa no outro lado da barriga da vítima, enquanto encheram uma sacola com seringas. “Eles provavelmente perceberam a aproximação de alguém e um deles me amordaçou. Amarraram tão bem a minha boca que eu mesma, com minhas mãos, não pude [desamarrar]. Eu estava toda machucada, de tanto apertarem as mãos. Me jogaram no chão e me atiraram uma pedra, acertando meu braço”, disse.

A vítima sofreu, ainda, uma série de perfurações com seringas. “Temos caixas de seringas, que são avulsas. Eles pegaram, uma por uma, e colocaram as seringas desde a minha coxa até perto do umbigo. Eles foram enfiando as agulhas e eu não podia gritar, nem chorar. Não podia fazer nada. Não tinha como reagir”, prosseguiu.

A tensão cresceu quando um deles encostou um canivete no pescoço da enfermeira e ameaçou matá-la. Os outros dois homens fizeram o agressor desistir para que eles pudessem fugir, pois havia gente entrando no Posto. “Eles fugiram e eu não conseguia tirar a mordaça para gritar. Notei que alguém tentava forçar a porta da frente para entrar, acredito que meu colega. Mas só eu tenho a chave. Ele deu a volta e se deparou comigo naquele estado. Abriu a porta e os demais se assustaram. Chamaram a polícia e os bombeiros. Vieram os bombeiros da Petrobras, porque os bombeiros estão com dificuldade [ambulâncias em manutenção]”, afirmou.

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A enfermeira denunciou que não recebeu nenhuma atenção da Prefeitura, nem do responsável pela pasta da Saúde, sequer por alguma assistente social, alguém que represente o Município e pudesse estender a ela alguma ajuda. Ela acusa o Município de São Mateus do Sul de ter sido omisso em relação ao seu acidente de trabalho, como ela descreve o episódio do ataque.

“Fiz os exames e, graças a Deus, não atingiu nenhum órgão vital, nem a cabeça. Mas tive muitas dores. Foi um trauma que não desejo para ninguém. Fico indignada com essas coisas, porque não temos segurança no Posto”, disse.

O ataque deixou a enfermeira emocionalmente abalada. Ela está afastada do trabalho, diante do trauma. Ela estava prestes a tirar férias, que começariam no dia 10. “Hoje, eu não teria coragem de voltar, pois estou traumatizada. Meu marido me acordou várias vezes durante a noite, pois eu estava abalada, assustada, nervosa”, afirmou.

Segundo a vítima, o colega dela, que coordena o setor de Enfermagem do Posto de Saúde da Vila Americana, sugeriu que, a partir de agora, todos os funcionários cheguem juntos, no mesmo horário, para evitar novos imprevistos. “Não temos segurança. Quem conhece o Posto de Saúde da Vila Americana, sabe que foi construído num mato. Atrás, é um matagal. Não tem portão, não tem cerca, é muito perigoso”, protestou.

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A enfermeira disse, ainda, que só o tempo pode definir como será daqui para frente. “Gosto do meu trabalho, todo mundo me conhece, sou enfermeira há anos, até fora do horário de serviço. Gosto muito deles e sinto que eles também [a população]. Tive inúmeras mensagens do pessoal da [Vila] Americana. Sair daqui por falta de segurança é sacanagem, pois eles precisam ter condições de arrumar isso. Peço que as autoridades tomem providências quanto a isso [a falta de segurança para trabalhar]. Assim como aconteceu comigo, poderia ter sido com qualquer pessoa que fica ali de manhã esperando na porta para uma consulta. O problema é aquele estacionamento atrás, que é muito perigoso”.

De acordo com o tenente Ivan, da 3ª Companhia da PM, a enfermeira foi encontrada em estado de choque após o ataque e não conseguiu repassar muitos detalhes dos agressores. Ela afirmou à PM que eles vestiam blusas de moletom com capuz e que não conseguiu visualizar o rosto deles em função disso. “Também foi perguntado se ela lembrava quem tinha pedido as seringas nos dias anteriores e ela falou que não. Pode ser que ela esteja em choque ainda, o que afeta a memória. Na situação, não foi localizado ninguém [dos suspeitos]. Ninguém soube dizer para onde foram os três. Acreditamos que foi algo muito premeditado, porque ela costumava chegar às 6h50 e, às 7h, já teria alguém lá, então eles sabiam que nesses 10 minutos ela estaria sozinha”, relatou o tenente Ivan.

A Polícia Civil de São Mateus do Sul se encarrega das investigações sobre o ataque à enfermeira.

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