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14/11/19 - 22h52 - atualizada em 14/11/19 às 23h00

Comitê defenderá manutenção da Petrobras estatal no PR

Criação do comitê foi proposta pelo deputado estadual Requião Filho (MDB), em audiência pública na segunda (11)

Da Redação, com informações da Rádio Difusora do Xisto 

Deputados estaduais, federais e representantes políticos do Paraná participam de movimento em defesa da permanência da Petrobras no Paraná

Em audiência que debateu “As Consequências da Saída da Petrobras do Estado do Paraná”, no Plenarinho da Assembleia Legislativa (ALEP), na segunda (11), o deputado estadual Requião Filho (MDB), propôs a criação de um comitê permanente em defesa da Petrobras, dos empregos e da arrecadação gerada pela empresa. A Petrobras é uma sociedade anônima (S/A) de capital aberto, cujo maior acionista é o Governo Brasileiro – o que faz dela uma estatal de economia mista.

A audiência pública que debateu os riscos e consequências da saída da Petrobras do Paraná atraiu petroleiros e lideranças sindicais, que acompanharam os argumentos de especialistas sobre o impacto da venda de ativos da empresa no Paraná: a refinaria e a fábrica de fertilizantes nitrogenados, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), o Terminal de Paranaguá e a unidade de industrialização do xisto, em São Mateus do Sul.

“A ideia de trazer esse comitê para a sociedade é mais do que necessária, pois precisamos romper essa barreira. Estamos compartimentalizados”, disse o deputado Requião Filho.

Segundo ele, é necessário que a sociedade entenda que essa discussão não é de interesse segmentado, pois não afeta somente aos petroleiros. “Não temos outros deputados federais ou estaduais. Não temos aqui um representante do governo estadual. Qual é a preocupação dele com os empregos? Qual é a preocupação deles com a Petrobras? Nenhuma. Eles estão preocupados em vender a Copel, a Sanepar, a Copel Telecom e em gerar lucro para grandes grupos econômicos. Não há um entendimento de estado, de nação. Apenas de empresas e lucro”, criticou.

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O presidente do Sindipetro Paraná e Santa Catarina, Mário Alberto Dal Zot, alertou que já vem ocorrendo um esvaziamento da Petrobras no Sul do Brasil, com a precarização das condições de trabalho, com a redução de pessoal, acúmulo de trabalho e redução de salários. Conforme Dal Zot, a situação já é observada há pelo menos dois anos e essa redução de pessoal representa o preparo para que as unidades paranaenses sejam vendidas. “Estão sucateando e ‘fazendo maquiagem’ em equipamentos, dando a oportunidade para um grande acidente ampliado, para vender melhor. Já está acontecendo isso antes de ser vendido. Há algumas semanas, a presidente da Associação de Moradores do Jardim Alvorada, uma localidade próxima à refinaria [em Araucária] nos procurou para perguntar o que está acontecendo com a refinaria: alarmes sonoros direto; tochas imensas; não obtém respostas nem do Poder Público, nem da refinaria. Ela nos procurou, preocupada”, disse.

Ainda conforme o presidente do sindicato, a presidente da Associação de Moradores do Jardim Alvorada, onde fica a refinaria de Araucária, disse que o último simulado de emergência foi realizado há 14 anos, em 2005 e que, nesse intervalo, a população cresceu dez vezes. “As chances do impacto de um acidente ampliado são grandes. Fica esse alerta para a Defesa Civil e demais autoridades do Estado do Paraná”, ressaltou.

Dal Zot destacou, também, que não há um relatório sobre as garantias dos reflexos do vazamento nos rios Barigui e Iguaçu, em 2001. “Um passivo ambiental enorme que ficou e não tem garantia de remediação e mitigação dos impactos, nem na área interna da refinaria nem na externa, por falta de fiscalização”, afirmou.

Como consequência econômica, desde 2016 tem sido reduzida a capacidade de refino, em particular no Paraná. “Ficou um bom tempo trabalhando entre 64% e 67% da capacidade de refino, tendo capacidade para produzir mais com petróleo brasileiro e não importado. De uma hora para outra, a partir de 2017, os EUA se transformaram no maior exportador de diesel para o Brasil. Dos 30% que a Petrobras está importando indevidamente, porque tem capacidade para produzir, porque ela quer simplesmente equiparar com o preço internacional, e o reflexo disso é na bomba de gasolina, no botijão de gás de cozinha, os EUA tem parcela de 90% dentro desses 30% do que é importado, só para garantir a qualidade internacional”, detalhou o sindicalista.

“Mais uma vez o Paraná está sendo preterido em relação a outros estados. A Petrobras vai se concentrar, em seu modelo de refino, no Sudeste. Estamos sendo preteridos novamente, porque, no passado, já fomos, na questão da exploração, nas tais linhas imaginárias, na exploração de nosso litoral. As linhas imaginárias, as paralelas que se encontram há 20 milhas. Temos muito petróleo no nosso litoral, só que essas linhas imaginárias limitam. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, elas abrem, abrangendo todo o pré-sal a 200 milhas, por exemplo. No Paraná, elas se fecham a 20 milhas, nos deixando fora da exploração da maior descoberta de petróleo dos últimos 30 anos no mundo”, expôs.

O diretor do Sindicato dos Petroquímicos do Paraná, Santiago da Silva Santos, comparou os efeitos negativos da privatização da Petrobras com os da telefonia, a partir da venda da Telebrás, em 1998. Santos frisou que os quatro primeiros lugares no ranking de reclamações junto ao Procon são ocupados por empresas de telefonia. “Os neoliberais se gabam dizendo que a privatização trouxe inovação tecnológica e competitividade. E isso não é verdade. A privatização da telefonia trouxe baixa qualidade no serviço e um alto custo. Temos no País uma das maiores taxas de telefonia do mundo”, disse.

Se por um lado, a privatização da telefonia universalizou o acesso ao serviço – antes uma linha custava cerca de R$ 1.200 e era necessário enfrentar uma fila de espera de dois a cinco anos – as tarifas ficaram cinco vezes mais caras. O aumento no número de usuários fez também a qualidade do serviço decair, explodindo o número de reclamações, que incluem os pacotes de telefonia fixa e móvel, internet banda larga e TV por assinatura.

Outra privatização criticada por Santos é a da Vale do Rio Doce, que se tornou apenas Vale, em 1997. A empresa tem em seu histórico recente dois desastres ambientais de grandes proporções, com rompimentos de barragens: Mariana (MG), em novembro de 2015, que resultou em 18 mortos e um desaparecido e em Brumadinho (MG), há nove meses, que registrou 253 mortes – o número foi atualizado nesta quarta (13), com a localização de mais um corpo – e 17 desaparecidos. Na semana passada, a Agência Nacional de Mineração (ANM) divulgou relatório técnico assinalando que a tragédia poderia ter sido evitada se a Vale tivesse prestado informações corretas ao Sistema de Integrado de Gestão de Segurança de Barragens de Mineração (SIGBM).

“Essa destruição da Petrobras está no contexto de um projeto que foi escrito para o [ex-presidente Michel] Temer, que se chamava Ponte Para o Futuro. Esse projeto iria reduzir o Brasil a uma espécie de campeão mundial de produção de produtos agrícolas e de minérios e, com isto, a subordinação e destruição de todo um processo civilizatório, o desaparecimento da noção de fraternidade, de igualdade e de pátria, substituído pela barbárie da competição capitalista absoluta”, relembrou o ex-governador e ex-senador Roberto Requião (MDB).

A próxima audiência pública, ainda sem data definida, ocorrerá em São Mateus do Sul.


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