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03/10/11 - 09h42 - atualizada em 03/10/11 às 10h16

Protocolo da vida sensual

Jussara Harmuch Bendhack


A Secretaria de Políticas para as Mulheres, chefiada pela ministra Iriny Lopes, acionou o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) para que suspenda o comercial em que a modelo Gisele Bündchen aparece de lingerie para mostrar a “melhor maneira” de dar uma má notícia ao marido, por considerá-la ofensiva à imagem da mulher.

Dependendo do que se julgue ofensa, existe uma infinidade de atos e fatos que podem ser considerados ofensivos à mulher no Brasil, escancarados diariamente à nossa vista. Só para lembrar: as propagandas de cervejas, as “paniquetes” que se jogam num tobogã de sabão com seus biquínis minúsculos [100% menores do que os que Gisele usa no comercial] para arremessar um ganso na cesta [programa Pânico na REDETV], os “Big Brothers” e “Fazendas”. Isso sem contar as manifestações públicas de alguns políticos que deixam escapar, “naturalmente”, evidências da mulher em posição submissa ao homem.

Evidente que o problema de inserção da mulher na sociedade e da imagem que ela própria passa de si mesma se resolve muito mais com o desenvolvimento do país na área educacional e cultural do que com atitudes arbitrárias, principalmente vindo do governo.

Voltando ao comercial que foi tirado do ar, a ideia foi provocar risos, como foi a de uma marca de telefonia celular que tira sarro do marido, com “cara de bobão”, que pede à esposa para lhe trazer quitutes enquanto assiste o comercial da TV que fala da troca de chip e ela, contrariada por ter que levantar para servir o marido, pensa olhando para ele: “neste caso não adianta trocar o chip, tem que trocar o aparelho”. Em comparação com a peça publicitária da lingerie, esta seria considerada ofensiva aos homens.

Aplicar o “politicamente correto” em relações pessoais é como estabelecer um protocolo para a vida sensual. Diferente do contrato de casamento, a paixão vivida a dois, sejam casados, ficantes ou namorados, não pode ser regulamentada por decreto. Neste caso o que funciona é o jogo amoroso, a lei da sedução, é deixar a natureza e os hormônios fluírem. Não se pode tirar o gosto das pessoas pela felicidade.

Leia também: Faça amor, não faça guerra, de Friedmann Wendpap; Ouça Cony Xexéo e Viviane Mosé na CBN.

Para quem não viu, o vídeo do comercial está disponível no Youtube.

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