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23/09/11 - 20h23 - atualizada em 23/09/11 às 20h39

O que os baderneiros de Londres, os depredadores de Irati e os eleitores têm em comum?

Fiz a conexão destas situações e encontrei semelhanças
Jussara Harmuch Bendhack


A Revista Veja publicou esta semana que intelectuais relacionam a recente onda de vandalismo provocada por jovens em Londres com o desemprego, o niilismo e o assistencialismo britânico.

A falta de emprego nem precisa explicar, todo brasileiro já provou um pouco deste amargo ou ao menos passou perto e sabe bem o que é. Classificar as pessoas de niilistas seria mais ou menos como dizer que são um bando de desocupados que não acreditam em nada, não se identificam com crenças ou tradições, instituições e muito menos trabalho. Nada desperta neles o senso de responsabilidade e respeito ao próximo. Agora dizer que as políticas assistenciais podem estar influenciando a cabeça dos jovens, fazendo com que eles se tornem dependentes do governo e ressentidos com o restante das pessoas que possuem muitos bens materiais é novidade para uma grande parcela de brasileiros. Mas é isso mesmo que o filósofo Roger Scruton pensa e disse em entrevista à Gabriela Carelli.

Voltando aqui para o Brasil, a gente ouve falar muitas coisas sobre política assistencialista. Críticas ao Bolsa Família que, em vez de dar o anzol e ensinar a pescar, dá o peixe pronto. Doações de cestas básicas ou aquele dinheirinho dado na rua, para o “cuidador de carros” ou no sinaleiro, em cidades maiores, também já são vistas com cuidado e o “benefício” gerado é contestado por muitos. A conquista para as pessoas dependentes do assistencialismo, muitas vezes, se resume na subsistência. Ao contrário dos que buscam superar objetivo, por méritos próprios.

A análise leva a concluir que a nova geração vem sofrendo influência de tudo isso e, é claro, o reflexo recai sobre a própria sociedade que se constitui de uma grande parcela de pessoas com baixa auto-estima, alimentada por estas práticas.

“Todo homem tem um animal dentro de si”, disse o filósofo à Revista Veja. Quem já não viveu situações quando o instinto natural impulsiona ações que, se fossem mais pensadas, não seriam as mesmas. É certo dizer também que algumas pessoas são mais guiadas por este instinto do que outras. Mas a vida em sociedade nos obrigou a exercitar a moderação. E para isso, a velha regrinha que aprendemos de nossos pais continua valendo. É preciso estabelecer direitos e deveres. Partindo desta premissa de educação, fica fácil compreender a função do Estado, que leva aos próximos itens da conexão.

Luminária da Av João Stoklos, alvo de vandalismo no último sábado, 17. A polícia não encontrou os suspeitos
A liberdade individual termina quando interfere na liberdade do outro. E a verdadeira liberdade vem através do cumprimento de leis e regras, se não tudo vira selvageria, como o exemplo do ato de vandalismo ocorrido há poucos dias em Irati, na Avenida João Stoklos, onde várias luminárias foram quebradas e arrancadas. Lindas luminárias que além de levar luz ao passeio, enfeitavam a avenida, causando bem estar às pessoas que por ali adquiriram o costume de transitar a pé. 

Os eleitores. O instinto natural e o protecionismo também aparecerem na hora que o eleitor responde o que espera da política, dos políticos, do vereador ou do prefeito que vai ser escolhido por ele. O pensamento comum é querer resolver suas necessidades. Raro é encontrar opiniões de pessoas que visualizam um conjunto de benefícios e conseguem se incluir dentro dele.

Motivada a fiscalizar a ação do legislativo para tentar impedir a aprovação de uma proposta que aumente o número de vereadores, população lota sessão da Câmara de Irati, que em geral é esvaziada
Não há democracia sem educação e não há boa educação quando existem grandes diferenças sociais. Todo mundo sabe onde o calo aperta. A maioria da população depende dos serviços públicos de educação e saúde e ainda dependem do que é mais básico do que isso, ter o que comer. Por esta simples razão, creio eu, a população deixa influenciar suas escolhas políticas. Qual será o benefício individual se votar neste ou naquele candidato? Não é errado ser beneficiado e a função dos governantes é zelar para que o bem-estar geral seja preservado e os interesses públicos sejam defendidos.  O erro está em identificar o real benefício. Muito menos as pessoas conseguem identificar quem lhe trará este benefício, se o vereador ou o prefeito.

Bem, até agora eu li muito pouco de Marx e Platão para dizer que entendo de relações sociais. Não entendo mesmo. Mas vislumbro uma idéia de que a difusão da informação pode levar os indivíduos a compreender melhor a sociedade.  



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