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14/10/11 - 08h06 - atualizada em 14/10/11 às 10h47

O famoso Clube 7

Dagoberto Waydzik

Placa da fachada do Clube 7 de Irati
Todo iratiense que se preze já comeu, pelo menos uma vez, a deliciosa feijoada do Clube 7. Mais ainda, faz questão de levar um visitante seu para saborear aquela iguaria.Mistura de restaurante, bar e clube esportivo tornou-se referência a todos nós, há muitos anos.

Contudo, são os pitorescos causos ocorridos lá que dão melhor tempero ao local.Há anos atrás no clube houve uma disputa de bocha entre polacos e ucraínos, estes últimos em maioria na agremiação. Durante a peleia, talvez embalados pela disputa, somada a rivalidade das raças e ainda, com possíveis goles a mais, quebraram o pau por lá. Até que um polaco levou uma cacetada feia na cabeça, quase desfalecendo.

Resultado: todo mundo para delegacia de polícia. Ainda com ânimos acirrados o delegado perguntava quem bateu na vítima? Ninguém falava nada. A autoridade, já passada de brava, falou que enquadraria a todos e iria todo mundo preso se não falassem quem cometeu o delito. Até que um ucraíno disse que foi ele que havia batido no polaco, mas que foi com o paletó que desferiu o golpe.

Quando o delegado chamou o atingido e mostrou o tremendo do galo na cabeça do polaco perguntou: como um paletó faria tamanho estrago? O agressor disse que não tinha culpa se haviam colocado uma bola de bocha no bolso do paletó.No final tudo se resolveu, mas a disputa entre as partes nunca mais aconteceu.

Assim, me foi contado por um ilustre iratiense que frequentava o clube.Outra atividade do 7 é o carteado. Truco, buraco, canastra, pife. Como em todo lugar desse tipo, tem os que jogam, os que gastam, os que se divertem e tem os “perus”, que só xereteiam.Certa feita, duas duplas disputavam uma partida de buraco, quando chega o famoso peru e se coloca atrás de um dos jogadores.

Cumprimentam-se e convidam-no para jogar na próxima rodada. Como o bom corneta, não queria jogar, só filar uns aperitivos e “apreciar”. Porém, ficou atrás de um dos jogadores, e quando esse pegava uma carta para descartar só ouvia trás de si: tsi, tsi, tsi, ou seja, não, não, não, como quem diz: essa não. Chegava mais uma rodada e lá vinha o ruído de negação: tsi, tsi, tsi. Pode?

Lá no 7 podia, até que secaram o palpiteiro e o convidaram a não peruar mais os jogos que ali ocorriam. O causo ficou famoso na cidade.Numa terceira, e mais recente, estória, sábado perto do almoço, corria solta uma partida de canastra.

Início da primavera, solzinho gostoso, eis que entra uma figura conhecida, de bermudão surrado, com as pernas brancas como um par de palmitos descascados e, se acosta atrás de outro patrício ruteno, que estava jogando. O xereta começa com a palpitagem. Irritado, o jogador sentado se vira para o “peru” e pergunta jocosamente: “Quando vai tirar esse gesso das pernas”? E recebe a resposta: “Que que você tem com isso narriz de morranguinho”? Foi uma gargalhada só.

Porém, tudo terminou bem.Esses são alguns causos, de muitos ocorridos no pitoresco Clube 7.Vida longa para aquele lugar que passa de geração para geração, mas não perde a qualidade da deliciosa feijoada nem a pândega de seus frequentadores.


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