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28/11/11 - 20h20 - atualizada em 28/11/11 às 21h12

"Me engana que eu gosto"

Jussara Harmuch Bendhack


Ilustração
É muito mais fácil acreditar nas coisas do jeito que nos contam do que correr atrás dos detalhes. Em geral, as pessoas preferem receber tudo pronto. Com a informação não é diferente. Bate uma “certa preguiça intelectual" que, depois que se instala é difícil combater.

A rapidez com que a informação se processa através da informática e a internet que joga um grande número de informações em curto tempo, nos passa a impressão que é impossível saber de tudo que acontece no mundo.

Mas se por um lado esta tecnologia gera ansiedade por não darmos conta de tudo em tempo, por outro, facilita muito o acesso à informação detalhada e específica de cada assunto. Este conhecimento possibilita o cruzamento de dados e a construção de uma visão crítica sobre as coisas.

No entanto, pesquisas mostram que a maioria dos jovens aceitam os primeiros resultados do Google, muitas vezes sem sequer abrir os links, se satisfazendo com as informações resumidas que aparecem na listagem.

E a preguiça de procurar? Por comodidade, internautas, ouvintes, leitores de impressos e telespectadores se habituam aceitar os fatos como lhes é apresentado à primeira vista e, a maioria, mesmo quando impulsionada institivamente a discordar, não se arrisca, desamparada por falta de conteúdo.

Muitas reportagens são pautadas com o objetivo de entreter mais o espectador do que informar. Sem desmerecer quem acompanha este tipo de matéria, pois apesar de superficial pode despertar interesse, é preciso fazer comparações para distinguir melhor os fatos.

Uma mesma notícia pode ser apresentada de maneira diferente, dependendo da direção que o veículo que a publica queira dar.

Estar “antenado” com tudo é difícil mesmo, mas isso não justifica viver completamente alienado sobre o que se passa ao redor.

É, eu sei, não se pode negar que ainda existem restrições à informação. No caso da administração pública, por exemplo, muitos sites deixam a desejar porque não são atualizados em tempo real e a forma como são dispostos os dados gera uma complexidade que desestimula o acompanhamento da população que não precisa passar por um curso no Tribunal de Contas para poder fiscalizar. Um verdadeiro “bicho papão”.

Voltando ao "me engana que eu gosto", é fácil perceber que o mesmo raciocínio se aplica na política. Acreditar no que quer acreditar. Ou seja, a maioria nem lembra em quem votou na última eleição porque prefere acreditar na superficialidade das informações de campanha do que acompanhar a trajetória dos políticos ao longo do tempo.

Quando se pergunta sobre algum assunto que vem sendo veiculado, a resposta pronta da maioria que não faz ideia do que se trata é “não gosto muito de política” ou “prefiro não me envolver com política” e alguns podem complementar “minha vida é meu trabalho, minha casa e minha família, tenho Deus no coração”. Bem, mas este tema é assunto para outra matéria.


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