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15/03/12 - 23h46 - atualizada em 15/03/12 às 23h57

Gesto gratuito

Jussara Harmuch Bendhack


Uma coisa me chamou atenção quando comecei a frequentar um clube de campo da cidade. Toda vez que vou lá, noto em cima de uma bancada com espelho do vestiário, local onde geralmente as mulheres ficam por bastante tempo, um pequeno recipiente que faz a vez de um vaso. Dentro dele, cada dia uma florzinha diferente ou um galhinho de folhas bonitas que, ao que parece são colhidos no próprio jardim do clube. Por pouco o vaso passaria despercebido, acho até que tem gente que nem nota.

Venho pensando nisso há algum tempo, conjecturando o motivo que levou alguém a este gesto. A idéia que mais me apraz é de que não há intenção alguma por trás disso. Gosto de imaginar que “a mulher da florzinha”- deduzo que quem coloca o vaso lá é uma mulher que faz a limpeza - só quer agradar sem nada em troca. Um ato que chama a atenção pela sua gratuidade. Completamente desprovido de estratégias e com efeitos tão surpreendentes. Me senti acolhida e estabeleci um relacionamento de amiga com uma mulher que nem mesmo conheço.

Mas o que isso importa? Nada para muitos, para mim, constatar isso é uma alegria.

Construir relacionamentos no mundo dos negócios e no ambiente particular não é nada fácil. Todo mundo está preocupado consigo mesmo e isso causa estresse se não houver um equilíbrio entre as necessidades próprias e a do outro.

Saber o que o outro pensa é o que todo mundo quer e pode ser útil para influenciar as relações e fazer com que as pessoas façam o que você quer. É a base teórica de muitos livros de auto-ajuda. Com bastante treino e dedicação é possível que isso leve ao sucesso, um pouco maior para alguns e menor para outros com menos habilidades de conduzir as pessoas. 

Mas cansa observar que quase tudo gira ao redor de planos traçados e objetivos definidos, técnicas de relacionamento para crescer e conseguir o que a sociedade dita como ideal de felicidade.

É preciso de momentos para deitar a cabeça e descansar, desarmado, perto de alguém que não esteja tramando como te influenciar - pelo menos não o tempo todo.

Amor gratuito parece ser só coisa de mãe, mas não é. Ainda bem. Tem mais gente por aí como a “mulher da florzinha”, é só ter sensibilidade para notar.


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