Notícias Opinião

01/04/12 - 15h21 - atualizada em 01/04/12 às 15h36

Economia no Brasil

E o povo continua sendo dilapidado...
Dagoberto Waydzik



Devido à farra do crédito fácil, aplicado desbragadamente por financeiras, agiotas e grandes corporações, os incautos são levados à bancarrota. E o pior, com a anuência do governo.

As financeiras, enrustidas em estabelecimentos comerciais diversos, deitam e rolam. O papo é fácil desde que se garantam com consignação de parte do salário da pessoa que “emprestará” o montante. São inúmeros os artifícios para enganar o consumidor. Cobrando-lhe as taxas, com os mais diversos nomes, geralmente pouco explicadas. Não se informa o “custo efetivo total”. É o crédito fácil! O famoso crédito consignado. Trata-se de um empréstimo, sem risco algum para o cedente, pois desconta direto na folha de pagamento, principalmente do sofrido aposentado do INSS.

Existem pessoas, covardemente usando aposentadoria de parentes idosos para fechar contratos de empréstimo.

No Brasil são inúmeras pessoas entrando num buraco sem fundo, devido à política econômica atual.

E na hora de pagar? A dívida se arrasta em um sem fim número de parcelas. Os juros massacram o devedor. A empresa recebe várias vezes mais do que emprestou. Enfim, trata-se de uma suposta “agiotagem regulamentada”. Isso acarreta em endividamento familiar perigosíssimo. Pois o consumo, facilmente, pode crescer mais que a produção dessa família e do próprio país. Esse crédito fácil pode levar o consumidor à inadimplência de suas prestações, uma vez que já estão endividados muito acima do normal, assim vão para o rol dos maus pagadores. O risco é, pois, de que com o aumento do crédito pode-se chegar à insolvência da população.

Esta circulando, via internet, um texto que faz analogia de como funciona o crédito emprestado e o débito em uma instituição financeira, como segue:

“Se um correntista tivesse depositado R$ 100,00 (Cem Reais) na poupança em qualquer banco, no dia 1º de julho de 1994 (data de lançamento do Real), teria hoje na conta a FANTÁSTICA QUANTIA de R$ 374,00 (Trezentos e Setenta e Quatro Reais)”.

 Se esse mesmo correntista tivesse sacado R$ 100,00 (Cem Reais) no Cheque Especial, na mesma data, teria hoje uma pequena dívida de R$ 139.259,00 (Cento e Trinta e Nove Mil e Duzentos Cinquenta e Nove Reais), no mesmo banco.

Ou seja: com R$ 100,00 do Cheque Especial, ele ficaria devendo nove Carros Populares, e com o da poupança, conseguiria comprar apenas três pneus.

Não é à toa que o Bradesco teve quase R$ 2.000.000.000,00 (Dois Bilhões de Reais) de lucro liquido, somente no 1º semestre, seguido de perto do Itaú e etc. E os juros exorbitantes dos cartões de crédito? VISA cobra 10,40 % ao mês, CREDICARD cobra 11,40 % ao mês. Em contrapartida, a POUPANÇA oferece 0,62 % ao mês”. E o mais aviltante é que o governo cogita em abaixar o rendimento das cadernetas de poupança, talvez o único investimento seguro nesse país, embora com ganhos ínfimos. Não sei se isso é correto ou não, para afastar a ganância dos estrangeiros, mas os pequenos investidores pagarão o pato mais uma vez.

E aí? Essa situação pode continuar assim?

Não, pois é missão constitucional das áreas legislativas fiscalizarem e regulamentar essas matérias financeiras. Fazer algo para alertar o povo e frear a propaganda agressiva e em demasia, que induz a pessoa a fazer empréstimo, muitas vezes comprometendo seu sustento. Em qualquer esquina se oferece crédito consignado.

Tudo isso leva o país a aumentar a desigualdade. Fazendo muitos sofrerem com essas práticas, se não houver uma ação efetiva dos órgãos responsáveis para regulamentar e fiscalizar essas ações. Isso fere o princípio da igualdade. “Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma”.

A regra diz que não se pode comprometer mais dos 30% do salário do mutuário. Essa foi a decisão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). No início isso é até obedecido, mas passado algum tempo o valor ultrapassa em muito esse percentual. Existe desde 2008 regras sobre o crédito consignado, mas parece que as agências encontram maneiras de mascarar esse regramento. Existem vários cuidados que o consumidor deveria tomar e não toma devido ao desconhecimento, aliado à publicidade abusiva do agente financeiro. Dever não é crime, quanto mais se sua dívida se originou da cobrança dos juros absurdos que são cobrados no Brasil e o pagamento destas dívidas está prejudicando a subsistência de sua família. O Código de Defesa do Consumidor proíbe a execução ou promoção de publicidade enganosa ou abusiva.

A população deve lutar por uma Campanha pela Reforma Tributária e Financeira no Brasil, já!

A nossa Presidente esteve, recentemente visitando a Alemanha e chamou a atenção da política econômica dos países europeus, devido à crise econômica dos mesmos. Em certa parte, com razão, mas de uma forma geral não olhando para os próprios problemas de nosso país. Assim, recebeu a resposta abaixo do chefe do Estado alemão, Ângela Merkel, em 06/03/2012 (entrevista à TV alemã, quando da visita de Dilma àquele país):

 “Essa senhora vem à Alemanha nos dizer o que temos que fazer? Ora, a Alemanha vai bem obrigada apesar de tudo. Mas eu vou aproveitar para dar um conselho a ela... antes de vir aqui reclamar das nossas políticas econômicas, por que ela não diminui os gastos do governo dela e diminui os juros que são exorbitantes no Brasil? Se eu posso emprestar dinheiro a juros baixos e o meu povo pode ganhar juros absurdos lá no país dela, eu não vou ser quem direi ao meu povo que não faça isso. Ela que torne a especulação no país dela menos atraente.” Ângela Merkel.

            Pelo sim, pelo não, o que realmente necessita, urgentemente, é uma reforma tributária e financeira em nosso país sob o risco de ocorrer o que ocorreu recentemente nos Estados Unidos com a facilitação do crédito imobiliário e o caos que adveio logo em seguida naquele país. Muitos devolvendo suas casas financiadas.

Dagoberto Waydzik

Comentários

AO VIVO
AM
05:00 às 07:30 Canta Viola Sidnei Jorge
FM
05:00 às 08:00 Desperta Irati Amilton Ferreira