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15/11/19 - 11h36 - atualizada em 15/11/19 às 13h08

Transiratiense justifica acréscimo de 10% ao valor da tarifa

Passagem de ônibus ficou mais cara a partir de 2 de outubro: de R$ 4 para R$ 4,40

Da redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

Gerente da Transiratiense apresentou justificativas para solicitar o reajuste de 10% no valor das passagens de ônibus

O usuário do transporte coletivo em Irati começou a pagar R$ 4,40 pela passagem de ônibus em 2 de outubro. O acréscimo de 10% - antes a passagem custava R$ 4 – fica acima tanto do IPCA acumulado dos últimos 12 meses, em relação a setembro de 2019, que foi de 2,89%, quanto do INPC, que foi de 2,9236% e, até mesmo, da inflação acumulada de 2018, que foi de 3,75%. 

O gerente administrativo da Transiratiense, empresa concessionária do transporte público coletivo em Irati, Sérgio Ricardo Zwar, justifica que, desde o último reajuste até agora, houve encarecimento de todas as despesas, especialmente dos combustíveis e da manutenção da frota. “Temos um problema que surgiu nos últimos anos, que são as travessias elevadas, que a Prefeitura está fazendo por toda a cidade. Ninguém dá conta do impacto que isso causa aos veículos. Estamos sentindo isso nos ônibus que temos trafegando pela cidade. Há três anos, duas molas da suspensão quebravam por mês. Hoje, a média é de cinco por semana”, compara. 

Ouça o áudio da entrevista com Sérgio no fim do texto

Zwar relata que o crescimento na frequência da manutenção dos ônibus demandou a contratação de mais mecânicos na empresa. O gerente inclui na planilha para o pedido de aumento na passagem o reajuste salarial dos 43 funcionários, concedido em 1º de maio, e o aumento no custo de peças para os ônibus. 

Outra justificativa apontada pelo gerente da viação, que encarece o custo do transporte coletivo, é a meia passagem concedida aos estudantes universitários e garantida pela lei municipal 1960/2003. A lei 2622/2007 estende esse benefício aos estudantes dos ensinos fundamental e médio. 

“Quando vamos comprar combustível, por exemplo, a Petrobras não nos dá desconto de 50%. Vamos pagar os salários, o motorista não aceita receber apenas 50%. Vamos comprar pneu, não pagamos a metade do pneu. Pagamos o valor total. O aluno, quando embarca no ônibus, paga a metade da passagem. Por conta desse desconto, o que o aluno deixa de pagar é rateado entre os passageiros que pagam a tarifa normal, o que acaba elevando o valor da passagem. Em vários municípios onde existe esse desconto, a Prefeitura dá a contrapartida. Aqui em Irati não tem”, afirma. 

Ainda conforme Zwar, a lei que isenta empresas de ônibus do pagamento de PIS e COFINS (lei federal 12860/2013) seria válida somente para cidades com população acima de 150 mil habitantes, o que não é o caso de Irati, com população de cerca de 60 mil habitantes. “As cidades abaixo disso não são contempladas. Eu pago o valor do combustível normal. Em cidade grande, além de transportar mais passageiros, eles têm mais desconto no combustível”, diz. O gerente desconsidera o fato de que, em cidades maiores, não somente o volume de passageiros é maior. Proporcionalmente, a distância percorrida, a frota e o número de funcionários, também. 

O aumento no valor da tarifa é atribuído, ainda, à gradativa redução de passageiros ao mês, registrada entre 2006 e 2019. Houve uma redução de 30 mil passageiros transportados por mês durante esse período. Zwar acredita que isso decorre do fato de que mais pessoas adquiriram automóveis e motos. “Isso acaba tendo impacto no preço da tarifa porque são 30 mil pessoas a menos para ratear o custo que temos. Se essas 30 mil pessoas estivessem usando o transporte, as despesas seriam divididas entre elas e resultaria num custo mais baixo e seria possível operar o sistema com uma tarifa mais baixa”. 

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A planilha indica que, em 2018, foram transportados 577.013 passageiros, o que gerou um custo final de R$ 5,44 por quilômetro rodado. Os ônibus percorreram 476.170 quilômetros ao longo do ano. “A tarifa é calculada inserindo dados que temos numa planilha de custos, que segue um padrão. O próprio DNIT [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte] fornece um padrão de planilha, que abastecemos com dados de quantos passageiros transportamos por mês; quanto gastamos com pneu, combustível, lubrificante, mão de obra – de mecânico, de motorista, do administrativo, das pessoas que fazem higienização do ônibus, quanto gastamos com imposto, quanto gastamos com a depreciação dos veículos, seguro e outras coisas que compõem o custo”, explica. 

O gerente destaca que, nos últimos anos, cresceram as despesas da empresa com políticas de redução de impacto ambiental. “Não podemos descartar nenhum lixo contaminante no sistema de coleta da Prefeitura. Isso é coletado por uma empresa de Curitiba e é cobrado um valor por quilo – cerca de R$ 2 por quilo – e é levado para o aterro industrial de Curitiba”, diz. 

Zwar lista, ainda, entre os fatores que elevam as despesas da empresa que são repassados na tarifa do ônibus as despesas administrativas, telefone, plano de saúde dos funcionários e despesas com sindicatos. 

“Não adicionamos nessa planilha o risco de capital, que o DNIT permite adicionar. Também não adicionamos o risco operacional. Transportamos pessoas e, se acontece um acidente e um passageiro se machuca, temos um custo. Isso não foi adicionado na planilha para que esse valor não aumentasse ainda mais”, frisa. 

Entre a apresentação da planilha de custos com o pedido de reajuste e a assinatura do decreto municipal que o autoriza, há um prazo entre 40 e 60 dias para que o protocolo seja analisado pela Comissão Municipal de Trânsito. Depois de aprovado o pedido, cabe ao Executivo decretar o aumento. 

Reajuste de 10% 

O reajuste de 10% – de R$ 4 para R$ 4,40 – pegou de surpresa o usuário do transporte coletivo iratiense. A elevação no preço ocorreu poucos dias depois que a Prefeitura de Ponta Grossa autorizou a Viação Campos Gerais a reajustar a passagem do ônibus de R$ 3,80 para R$ 4,30. Ainda que os preços sejam semelhantes, em Ponta Grossa existe o Sistema Integrado de Transportes – o passageiro troca de ônibus nos terminais, embarcando pela porta traseira, sem precisar pagar outra passagem. 

Comparativamente, na Viação Campos Gerais, que opera o transporte coletivo em Ponta Grossa, a bilhetagem é eletrônica e o acesso gratuito de passageiros de 60 a 65 anos é limitado aos que são credenciados (possuem a carteirinha) e com renda mensal inferior a 1,5 salário mínimo nacional. Além disso, a gratuidade é limitada ao máximo de duas viagens diárias, com 40 créditos mensais, não cumulativos na recarga (conforme decreto municipal 16.125/2019). Para quem tem mais de 65 anos, essa restrição não existe. 

Mais caro apenas em Curitiba e Maringá 

Em Guarapuava, a tarifa cobrada pela Pérola do Oeste é ainda menor: R$ 3,40 (convencional) e de R$ 1 para estudantes. Em Curitiba, a passagem é apenas R$ 0,10 mais cara que em Irati: custa R$ 4,50 desde março. Na cidade de Cascavel, a tarifa é de R$ 3,90. Em Foz do Iguaçu, desde fevereiro a passagem é R$ 3,85, com gratuidade para maiores de 60 anos cadastrados. Em Londrina, a tarifa é de R$ 4,25. Em Maringá, quem usa o Cartão Passe Fácil, para bilhetagem eletrônica, paga R$ 4,30. Quem paga no dinheiro e compra um crédito avulso, paga R$ 4,50 e estudantes pagam R$ 2,15. 

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