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31/01/19 - 21h37 - atualizada em 31/01/19 às 21h53

Tarde de Campo apresenta aos produtores novas cultivares do feijão

Produtores visitaram Unidade de Referência do projeto, na propriedade de Claudio Fillus, na comunidade de Caratuva II

Edilson Kernicki, com reportagem de Jussara Harmuch 

Produtores visitaram Unidade de Referência do projeto, na propriedade de Claudio Fillus, na comunidade de Caratuva II

Produtores rurais de Irati tiveram acesso a novas descobertas das pesquisas agronômicas sobre a cultura do feijão, no dia 24 de janeiro, durante a Tarde de Campo promovida pelo Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e os parceiros do Projeto Centro-Sul de Feijão e Milho. Os agricultores visitaram a Unidade de Referência do projeto, na propriedade de Claudio Fillus, na comunidade de Caratuva II, no interior de Irati.

O projeto é uma parceria entre o Instituto Emater; o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR); a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Syngenta (iniciativa privada). Emater, IAPAR, Embrapa e IAC apresentaram novas variedades de feijão e a Syngenta demonstrou a aplicação de defensivos agrícolas.

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“Esse é um projeto que já existe há 29 anos. Além disso, os municípios, através das Secretarias Municipais de Agricultura, participam junto. Na região de Irati, temos sete municípios participando desse convênio. No Estado, tem vários outros municípios, dentro das diversas outras regiões”, explica o engenheiro agrônomo Amilcar Afonso Marques, gerente regional da Emater em Irati.

O objetivo é apresentar novas cultivares de feijão – mesmo as que ainda não foram lançadas comercialmente e aquelas que foram recentemente lançadas – a fim de que o produtor avalie a conveniência do investimento. Uma dessas variedades de feijão, segundo Marques, tem uso indicado a saladas. “Para o produtor implantar isso aí, é importante que ele faça um contrato com a empresa que vai adquirir, porque é uma comercialização já bem mais restrita. E tem outras cultivares que já são bem mais comerciais, pois já são distribuídas em todo o país”, compara.

Gerente regional da Emater, Amilcar Afonso Marques,

Diferente do que muitos podem acreditar, é justamente o pequeno agricultor quem deve buscar informação e investir em tecnologia de sementes, conforme o engenheiro agrônomo Marcos Aurélio Marangon, analista da Embrapa. “Pelo contrário, como a área é pequena, ele tem que otimizar sua área, precisa produzir mais por área e, para isso, tem que buscar informação e conhecimento para atingir esse objetivo [de aumentar a produtividade]”, frisa.

O gerente da Emater recomenda ao agricultor que sempre adquira suas sementes junto às cooperativas ou junto ao comércio especializado e que evite os “sementeiros”. De acordo com Marques, isso garantiria um produto com mais sanidade, uma vez que os grãos da prática de “salva-sementes” costumam apresentar maior risco de doenças. Na “salva-sementes”, o agricultor planta num ano e reserva parte dos grãos da colheita para o plantio da safra seguinte.

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Conforme Marangon, essa é uma prática comum entre os pequenos agricultores.“A legislação brasileira de produção de sementes reza que o pequeno agricultor, que se enquadra como agricultura familiar, pode salvar sua semente ou pode também produzir, comercializar e trocar com outro produtor que seja do grupo de agricultura familiar. Isso conta também para os indígenas e para os assentados da Reforma Agrária”, detalha.

Mesmo assim, o agrônomo orienta ao produtor que procure adquirir sementes com certificação da Embrapa ou do IAPAR. “Ela é de qualidade superior e o agricultor tem a garantia de que ela não virá contaminada com várias doenças que podem vir através da semente, com a mistura de outras cultivares junto, que não venha com pedra, solo ou impurezas”, diz.

Manejo de solo

Marangon também destaca o manejo do solo como uma etapa importante para desenvolver uma boa planta. “É o primeiro passo: preparar o ambiente para deixar a semente produtiva e, depois, obter uma boa planta de feijão, por exemplo. Vemos um problema muito sério na agricultura brasileira, apesar de ser uma das melhores que existe no mundo, mas ainda existem muitos problemas de compactação de solo e de infertilidade por causa do alumínio, que existe bastante nos nossos solos aqui no Brasil e que é tóxico para a planta”, explana.

“Um solo mal manejado, malcuidado, vai gerar problemas sérios de erosão. Nosso clima é também favorável à erosão, pois temos chuvas torrenciais, chuvas pesadas e um solo que não esteja protegido com palha, por exemplo, pode causar perdas significativas. A erosão acaba empobrecendo o solo e poluindo os rios”, alerta o analista da Embrapa.

Analista da Embrapa, Marcos Aurélio Marangon, ressalta que os produtores devem ter cuidado no manejo do solo para ter boa produtividade

Investimento em pesquisa

Para o futuro, Marangon acredita que o Brasil seja um País crucial no que diz respeito à produção de alimentos, devido a suas condições mais favoráveis, tanto na agricultura quanto na pecuária. “Por isso, as tecnologias que a Embrapa está desenvolvendo, assim como outras instituições, como o IAPAR, o IAC e as universidades, tornam muito importante o investimento em ciência. O Brasil precisa voltar a investir em ciência, andou dando uma freadinha e isso é um tiro no pé, pois o País fica dependente de pagar royalties a outros países”, analisa.

“A Embrapa conseguiu isolar as melhores estirpes para soja, as melhores que existem no meio ambiente para fazer essa fixação do nitrogênio. As micorrizas chegam a aumentar em até 700% a área de absorção de nutrientes e água e isso vai potencializar muito a produtividade”, afirma o engenheiro agrônomo.

Instituições parcerias do Emater participaram da Tarde Campeira

Marangon ressalta que é muito importante investir na pesquisa que impacte em aumento de produtividade uma vez que a tendência é de cada vez mais crescer a população e, em contrapartida, se reduzirem as áreas de plantio.

Essa pesquisa inclui o melhoramento genético das plantas, a partir da observação e seleção das melhores. “É o que predomina. Mas hoje já tem as plantas transgênicas, que são modificadas em sua questão genética. O Brasil já produz bastante soja e milho transgênicos”, acrescenta.

As plantas transgênicas, conforme Marangon, são mais resistentes a pragas, o que contribui para elevar a produtividade, mesmo numa área menor de plantio.

“O IAPAR, a Embrapa e o IAC têm a função de desenvolver pesquisa. A Emater tem a função de extensão, ou seja, de levar esse conhecimento da pesquisa para o agricultor, através do Projeto Centro-Sul Feijão e Milho e, também, dar assistência a um número de produtores dentro do município e, logicamente, tem uma ampla gama de produtores que participam através de revendas e de cooperativas. Temos nossa clientela de agricultores que nós damos assistência, que são os agricultores familiares”, explica Marques.

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Líder de produção

De acordo com a Emater, o Sul concentra a maior parte da produção de feijão e colhe cerca de um milhão de toneladas, o que corresponde a aproximadamente 30% da produção nacional. Somente o Paraná chegou a produzir 710 mil das 3,3 milhões de toneladas colhidas na safra 16/17, ou seja, 21% da produção brasileira. Essa posição é reforçada principalmente devido à produção de feijão preto.

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