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16/08/11 - 08h46 - atualizada em 21/08/11 às 15h02

Quanto mais alunos em sala de aula, mais dificuldade em manter a qualidade, afirma diretor do Colégio São Vicente

Marli Traple


De acordo com a resolução 864/01, estabelecida pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed), a variação do número de alunos por sala de aula deve ficar entre 30 e 45. O número depende do tamanho da estrutura. Em uma sala de 36 metros quadrados, por exemplo, a capacidade é de 30 a 33 alunos. Se for de 48 metros quadrados, a capacidade muda de 40 a 45.

A partir da resolução, a secretaria determinou a redistribuição do número de alunos nas salas de aula, o que virou um problema para os professores, diretores e alunos de escola pública estadual. De acordo com a mudança, o número ideal de alunos por turma causa o fechamento de outras, que estavam com o número considerado 'reduzido’.

Para Padre Moacir, diretor do Colégio São Vicente, o que mais preocupa professores e diretores é a questão pedagógica
Nossa reportagem procurou a direção do Colégio [estadual] São Vicente de PaulO, em Irati, a fim de saber qual a opinião tanto do corpo docente, quanto dos pais e alunos a respeito desta situação. O Padre Moacir Cardoso Vargas, diretor do colégio disse que eles foram pegos de surpresa com a determinação, já que essa resolução tem 10 anos e nunca foi discutida antes. Conforme o diretor, a estrutura das escolas públicas do Paraná tem deficiências e nem todas têm espaço físico adequado para abrigar 40 ou 45 alunos em apenas uma sala de aula. “Isso vai se transformar num caos, porque o aluno deverá se movimentar num espaço de um metro quadrado e para o professor serão três metros, que acabará por se tornar um aglomerado de pessoas”.

Padre Moacir disse que o Colégio São Vicente dispõe de espaços para atender bem até 40 alunos, mas o que mais preocupa professores e diretores é a questão pedagógica. O Governo federal através do IDEB, Índice de Educação Básica, cobra das escolas públicas para que atinjam até 2020 a média 6. Na opinião dos docentes, esta cobrança entra em choque com a determinação do secretário Flávio Arns e prejudica o ganho dos professores. “Se um professor tiver que atender 40 ou 45 alunos perderia muito na qualidade de ensino, além de ter que enquadrar novamente os professores concursados, correndo o risco de diminuir as aulas dos mesmos e consequentemente a redução dos salários”, diz Moacir. 

“Se fala em democracia, valorização das Associações de Pais, Mestres e Funcionários - APMFs e Conselhos Escolares, Pais e Alunos, mas as decisões vem verticalmente, ou seja, de cima pra baixo, doa a quem doer” – desabafa o Padre, destacando que se todos querem qualidade, melhor índice do IDEB, melhor aperfeiçoamento dos alunos, não será aglomerando e diminuindo turmas, que estes objetivos serão alcançados.

O diretor deixa no ar a pergunta: Esta decisão da secretaria seria por problemas financeiros ou espaço físico?

A notícia de que inicialmente o governo do estado estaria fazendo apenas uma consulta e que não exigirá o cumprimento destas mudanças ainda este ano, tem acalmado um pouco a classe da educação que, o que indica a direção do Colégio, estará se manifestando contra essa decisão, pois, somente nesta instituição a redução de turmas ocorreria em três situações. “O problema da evasão não existe de forma isolada, mas em todas as escolas públicas. Violência, reprovação e um amontoado de pessoas num espaço pequeno, reduziria até mesmo a vontade do ser humano em trabalhar dignamente”, conclui.

“Nós do Colégio São Vicente de Paulo de Irati, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance. Mobilizações que mostrem a dura realidade já existente para recuperar os alunos com dificuldades de aprendizado. E em nome da comunidade escolar estou torcendo para que pelo menos neste ano não seja obrigatória esta mudança e que se não houver alternativa, o Governo tenha o bom senso de organizar isto no início de 2012, quando forem efetuadas as matrículas e que haja um estudo dentro da realidade de cada escola, se a demanda for maior” – finaliza Moacir.


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