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16/02/19 - 11h23 - atualizada em 16/02/19 às 13h28

Prefeitos do interior são surpreendidos com bloqueio de atendimentos médicos em Curitiba

Prefeitos da região da Amcespar e chefia da 4ª Regional de Saúde se reuniram para debater sobre corte de atendimentos para pacientes de média complexidade. Secretaria de Saúde da Capital nega que exista bloqueio

Paulo Henrique Sava

Fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul


Desde o dia 1º de fevereiro, todos os atendimentos e marcações de consultas de média complexidade para pacientes de todos os municípios do interior do estado, oferecidos pela Secretaria de Saúde de Curitiba, estão bloqueados. A decisão foi comunicada a todos os chefes das regionais de saúde e surpreendeu os prefeitos e secretários de saúde.

Por este motivo, gestores da região foram convocados para uma reunião extraordinária na sede da AMCESPAR na manhã desta sexta-feira, 15. Na ocasião, os prefeitos assinaram um documento que solicita providências junto à Secretaria de Estado da Saúde (SESA) para que os atendimentos especializados sejam retomados.

O diretor do Consórcio Intermunicipal de Saúde (CIS/Amcespar), Fernando Almeida, ressalta que foram bloqueados somente os atendimentos especializados oferecidos pela Secretaria de Saúde de Curitiba. Ele afirma que o CIS/Amcespar tentará disponibilizar as consultas especializadas para pacientes da região.

O diretor explica que pacientes que já estão em tratamento continuarão sendo atendidos, desde que sejam identificados pela 4ª Regional. Atendimentos de alta complexidade também continuarão sendo feitos na capital. “As especialidades de média complexidade serão feitas no município por enquanto, até o Estado resolver isto com Curitiba”, frisou. Almeida disse que a Secretaria de Saúde de Curitiba não informou os motivos da decisão.

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O presidente da AMCESPAR Edemétrio Benato Júnior, prefeito de Inácio Martins, demonstrou preocupação com o corte, que ele classificou como “radical”. “Temos uma fila de espera muito grande destes procedimentos de média e alta complexidade, e cortar radicalmente sem que haja uma alternativa, quem vai sofrer está lá na ponta, que é quem precisa realmente destes procedimentos”, pontuou.

De acordo com Benato, o Secretário de Estado da Saúde, Carlos Alberto Pretto, deve intermediar as negociações entre os municípios e a capital para que os atendimentos sejam retomados e que as cidades do interior não venham a ter prejuízo. O vice-prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, solicitou que o documento entregue à 4ª Regional seja protocolado o mais rápido possível e que haja um entendimento entre as partes. O presidente da AMCESPAR ressalta que, caso isto não ocorra, os municípios não terão capacidade de receber estes atendimentos por conta da falta de profissionais qualificados para isto.

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“O profissional especializado gosta de estar em uma cidade grande, que tem tudo a oferecer para ele. Não temos médicos qualificados ou credenciados pela nossa Regional de Irati ou de outro hospital de referência da região. Imediatamente não teremos soluções”, comentou.

Dependendo do resultado da reunião, será feita uma repactuação dos pacientes com outros centros, como Ponta Grossa, Campo Largo, Guarapuava ou União da Vitória. “Sabemos que isto demanda de tempo, e por isto a ação política tem que vir na frente, acontecer e ser efetiva, para que nada aconteça radicalmente como agora”, frisou.

O chefe da 4ª Regional, Walter Henrique Trevisan, enaltece a rapidez da mobilização dos prefeitos e secretários municipais para resolver este problema. “Isto nos fez ver a importância da articulação deste movimento. Esta articulação deles irá posicionar a nossa região”, opinou.

Outras regionais, como Foz do Iguaçu, já estão se mobilizando sobre esta preocupação, uma vez que dependiam de Curitiba nestas marcações. Trevisan comenta que os municípios precisam se reunir com seus Consórcios de Saúde para elaborar um Plano Diretor Regional da Saúde. “É tudo ainda muito prematuro, então nós vamos nos apropriar segunda-feira das informações para podermos trazer à população. Não estamos fazendo alarde: as coisas estão sendo resolvidas. Este governo Ratinho Júnior, o secretário Carlos Alberto Pretto e o diretor-geral da SESA, Nestor Werner Júnior, já estão articulando com a equipe de Curitiba para que isto se reverta”, comentou.

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Novo sistema 

O CELEPAR está elaborando um novo sistema de gestão da saúde para os municípios, o G-SUS, que deve solucionar o problema da marcação de consultas. A 4ª Regional integra o projeto-piloto da construção deste sistema. “Nós não vamos mais comprar isto, que está sendo colocado à disposição pelo Estado através do CELEPAR, que está elaborando o G-SUS”, frisou.

Secretaria de Saúde de Curitiba nega cortes

Nossa reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Curitiba, que negou os cortes e informou, através da Secretaria de Comunicação Social, que os atendimentos à população do interior do estado continuam sendo feitos normalmente, de acordo com o que foi determinado pelo Plano Diretor de Regionalização do Estado do Paraná (PDR).

“A cidade vinha atendendo acima do previsto no PDR. No ano passado, das 166,1 mil internações realizadas em hospitais de Curitiba, 64, 6 mil (39%) foram para pacientes que não residem em Curitiba”, informou, em nota, a Secretaria de Saúde da capital.

Ainda conforme o órgão, em 2018, 47% dos atendimentos de alta complexidade realizados em serviços de saúde de Curitiba foram para pacientes de outras cidades. A secretaria ressalta que o PDR é aprovado pela Comissão Intergestores Bipartite do Paraná.

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