Notícias Irati e Região

02/10/14 - 18h06 - atualizada em 03/10/14 às 00h54

População reivindica melhorias na Avenida Paraná, na Vila São João

Usuários reclamam das más condições da via e da ponte que passa pelo Rio das Antas
Paulo Henrique Sava

Moradores da Vila São João, alunos e professores do Centro Florestal de Educação Profissional Presidente Costa e Silva realizaram um protesto na manhã de hoje, 02, reivindicando melhorias na Avenida Paraná, que dá acesso aos bairros Joaquim Zarpellon e Santa Mônica e ao Colégio Florestal.

A manifestação teve início por volta das 06h30min. Moradores se concentraram nas proximidades da ponte, que, segundo a população, está em péssimas condições de trafegabilidade. Diariamente, aproximadamente 10 mil pessoas utilizam a via.

Em entrevista à Najuá, o diretor do Colégio Florestal, Professor Gilmar Gumy, afirmou que, além dos problemas na ponte, a avenida não possui passeio para os pedestres, o que, segundo o professor, é uma situação preocupante.

“Se a comunidade vier aqui perto das 17 horas, ou logo após o almoço, quando as crianças vão para a escola, vão ver que todos os transeuntes estão na rua, e isso é perigoso. Graças a Deus nunca tivemos nenhum tipo de acidente aqui, e agora o agravante em função destas chuvas, o problema é da ponte do Rio das Antas”, ressaltou.

Gilmar destaca que a nascente do rio fica nas dependências do Colégio Florestal e, no ponto em que ele atravessa a Avenida Paraná, em caso de ocorrência de chuvas fortes como a da última terça-feira, 30, o nível do rio sobe e a água invade a pista, aumentando os buracos e causando mais transtornos aos moradores e transeuntes.

“Nossa preocupação é que isso aí venha a ruir e que tenhamos um acidente e que seja bloqueado o acesso dos estudantes à escola e da população ao interior de Irati e Fernandes Pinheiro, isso é preocupante”, ponderou Gilmar.

O professor afirmou que diversos abaixo-assinados já foram enviados a prefeitura e aos órgãos competentes solicitando melhorias. Ele afirmou também que, quando o Conjunto Habitacional Joaquim Zarpellon foi inaugurado, havia um projeto para a pavimentação asfáltica da Avenida Paraná, o que não ocorreu.

“São muitas situações que fazem com que uma rua que tem um movimento desde cedo esteja assim. É um descaso das pessoas competentes com relação a isso”, destacou.

{album}

Problema persiste há mais de 50 anos

Alguns moradores da região se manifestaram à reportagem da Najuá. De acordo com Pedro Batista, a população reivindica melhorias na Avenida Paraná há pelo menos quatro anos. “Já foram feitas diversas reportagens aqui, várias manifestações e boletins, e até agora não fomos ouvidos”, relatou.

Batista afirma que recentemente uma menina de seis anos foi atropelada na via. “A gente reivindica não somente a ponte, mas sim a Avenida Paraná como um todo. Nós pedimos que eles [prefeitura] olhem para a Avenida Paraná antes que aconteça um acidente com morte aqui. Vamos nos unir e trabalhar”, alertou o morador.

Marta e Regiane, que residem na Vila São João há três anos, afirmam que enfrentam diariamente os problemas que a Avenida Paraná apresenta. “Desde que vim morar aqui, sempre teve buracos, crateras, nunca foi arrumado este trecho, apenas um pedaço, quando foram inauguradas as casas do Joaquim Zarpellon e do Residencial Irati 3. A Avenida Paraná toda está muito precária”, afirmou Marta.

Regiane afirma que, quando chove, sua filha, que estuda no Colégio Estadual João XXIII, chega em casa toda encharcada. “Não tem mais o que fazer a gente não sabe mais para quem pedir, porque o poder público ultimamente está parado aqui em Irati. Já mandamos assinaturas do pessoal do João XXIII e do Colégio Florestal. A gente vai fazer uma mobilização novamente até a prefeitura resolver o nosso problema”, destacou.

Miguel Gonçalves dos Santos, que reside há 50 anos na Vila São João, diz que os problemas aumentaram muito nos últimos anos, com a inauguração dos novos conjuntos habitacionais na região. “O problema cada vez aumenta mais, porque vai aumentando a população, aumentando o trânsito. A criançada, quando sai da aula, é um perigo. Graças a Deus até agora não aconteceu nenhum acidente mais grave, mas algumas ‘esbarradas’ em alunos já aconteceram”, afirmou.

Construção de nova ponte

Em entrevista a Najuá, o Engenheiro Civil da Secretaria de Obras, Sandro Luiz Podgurski, informou que a ponte terá que ser demolida para a construção de uma nova, pois segundo ele, não há possibilidade de recuperação da mesma.

“A prefeitura já vem monitorando esta circunstância desde a enchente passada [ocorrida em junho], e com as chuvas do final da semana passada e começo desta, a situação se agravou bastante”, ressaltou.

Segundo Sandro, após as enchentes de junho, foi encaminhada uma solicitação de recursos e projetos para o Ministério da Infraestrutura, mas até agora não houve resposta para a possibilidade ou não da vinda desta verba para o município.

“Para a situação que se apresentou desde segunda-feira, a gente fez uma solicitação para o Exército brasileiro para que eles nos emprestem uma ponte provisória para que a gente possa demolir esta galeria que está caindo e iniciar imediatamente a construção de uma nova galeria”, afirmou.

O engenheiro afirmou que esta nova galeria terá o dobro da capacidade de escoamento e vazão da água. “A galeria atual solapou porque foi aumentando o volume de água com os anos, principalmente com os picos que vêm durante as chuvas. Estamos no aguardo desta resposta do Exército para que coloque uma passagem provisória na lateral para que a população tenha um acesso melhor”, pontuou.

De acordo com o engenheiro, uma interdição total da ponte causaria o isolamento dos moradores do Conjunto Santa Mônica e do Colégio Florestal. Mas, caso o Exército não tenha a possibilidade de emprestar uma ponte móvel, as obras no local serão realizadas em duas etapas, com a liberação do tráfego em meia pista no local, o que, segundo Sandro, não é o ideal.

“Prejudica a continuidade da obra, porque você termina um pedaço e libera o tráfego e depois faz o outro pedaço, então dobra o tempo para a obra ser executada. Mas, vamos imaginar que o Exército não consiga nos ajudar, aí vai ser esse o caminho”, finalizou.

Sandro informou ainda que, a partir do início, as obras devem levar em média de 30 a 45 dias para ficarem prontas. Ele afirmou ainda que, se as chuvas voltarem, a interdição do local será imediata.

Ponte é interditada

No início da tarde, a reportagem da Najuá voltou ao local e constatou que o buraco na cabeceira da ponte havia aumentado. Alguns cavaletes foram colocados, evitando que motoristas viessem a sofrer prejuízos ao passar pelo local.

Posteriormente, a ponte foi interditada pela Secretaria Municipal de Obras e pela Defesa Civil. A prefeitura aguarda uma resposta do Exército sobre o empréstimo da ponte móvel para que o tráfego na região possa ser liberado.

“Os engenheiros da prefeitura estão nesse momento estudando rotas alternativas de acesso. Em resposta a solicitação enviada ontem ao Exército Brasileiro, o General da 5° Região Militar de Curitiba, está enviando uma equipe de engenheiros militares para estudar a viabilidade de ponte provisória no local. Desde a tarde de hoje, veículos pesados não eram permitidos, fica a partir de agora suspenso o tráfego integral de veículos”, informou a prefeitura de Irati, em nota enviada à imprensa.


Comentários

AO VIVO
FM
20:00 às 23:59 Najuá Night Club Programação Najuá