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11/10/17 - 22h50 - atualizada em 11/10/17 às 22h56

Padre fala sobre devoção a Nossa Senhora Aparecida

Imagem da santa foi encontrada há 300 anos por dois pescadores no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo

Paulo Henrique Sava

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Nesta quinta-feira, 12 de outubro, os católicos brasileiros celebram o dia de sua padroeira, Nossa Senhora Aparecida. Neste ano, o encontro da imagem no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo, completa 300 anos.  

A imagem foi encontrada em 1717 por três pescadores, João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia. Eles foram incumbidos de levar peixes para um jantar especial, que seria oferecido a Dom Pedro de Almeida e Assumar, que na época era governador da Província de São Paulo e Minas Gerais e visitava a região no período de 17 a 30 de outubro daquele ano. Depois de várias tentativas, os três pescadores tiraram do rio a Imagem de Nossa Senhora. Ela veio na rede em dois pedaços: primeiro, veio o corpo e depois a cabeça da santa.

Depois de encontrar a imagem, os pescadores passaram a encher as redes de peixes, milagre atribuído à santa. Antes de levarem os peixes, eles levaram a imagem para ser restaurada pela esposa de Domingos, Silvana. Ela restaurou a imagem e a colocou num pequeno altar, na casa da família.

Logo após, com o crescimento da devoção, foram construídos um oratório e posteriormente uma igreja, que depois daria origem ao primeiro Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Nossa reportagem conversou com o Padre Cristiano Rodrigues, vigário da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Irati. Para ele, apesar de ser pequena, a imagem de Nossa Senhora Aparecida é um grande sinal da presença de Deus na vida do povo. Ele comenta que a devoção à santa representa o grande amor de Deus para com a humanidade. “Ela, como mãe, tem um carinho muito especial e como este grande sinal, nos remete e nos leva a Jesus. A própria imagem de Nossa Senhora Aparecida e de Nossa Senhora da Conceição com as mãos postas em oração nos levam à centralidade da vida de Maria, que é Jesus. Com ela, nós chegamos mais perto de Deus, e a sua maternidade e presença de mãe nas nossas vidas, nos entende. Fica mais fácil rezar a Deus tendo ela como nossa intercessora”, frisou.

Na opinião do padre, o poder de Maria não está na realeza, mas na intercessão dela por toda a humanidade. “Ela intercede por todos junto àquele que é todo-poderoso, que é o próprio Deus. É por isto que nós podemos pedir a ela que o filho atende”, frisou.

Na imagem, menina aparece vestida como Nossa Senhora Aparecida durante celebração da ordenação do Padre Cristiano. Ao fundo, o bispo diocesano de Ponta Grossa, Dom Sérgio Arthur Braschi

Diferentemente das demais imagens, a de Nossa Senhora Aparecida é negra. Sua origem data do século XVIII. Rodrigues comenta que a imagem representa a figura do povo da época, que passava pela escravidão. Assim funciona com outras imagens ao redor do mundo, como a de Nossa Senhora de Guadalupe, que tem a fisionomia de uma índia. “Ela se aproxima daquilo que verdadeiramente é o povo, é o rosto dele. O rosto da Mãe Aparecida é a imagem de quem está sorrindo. Por mais que não consigamos ver de perto o que as imagens representam, se olharmos especificamente, veremos o simbolismo contido nestas imagens. Ela é uma imagem da Imaculada Conceição, que está sorrindo e tem a posição de oração, com um diadema. Acima dela está a Santíssima Trindade, a lua está debaixo de seus pés, representando que ela mesma não tem a luz, mas que é iluminada e reflete a luz do próprio Cristo e pode iluminar as nossas vidas nas escuridões. A fé do povo em Nossa Senhora Aparecida é muito pura e verdadeira e encantadora. A fé ressurge no povo”, declarou.

Rodrigues, que residiu no bairro Alto da Lagoa antes de entrar para o seminário, conta que sua devoção a Aparecida vem desde criança. “Tive sempre um carinho muito grande por ela. No decorrer da vida, recorri à santa, de modo especial durante minha vocação de padre. Um ano antes de tomar a decisão de ir para o seminário, tive a graça de ir para a Basílica de Aparecida e pedi que ela me ajudasse a discernir melhor, e assim os sinais foram acontecendo. Tive uma graça muito especial, fiz um trato com ela: eu iria rezar uma missa lá, mas ela concedeu algo grandioso de preparar minha ordenação no Santuário, onde proclamei o Evangelho. Por isso, ela tem um lugar muito especial no meu coração”, comenta.

O padre relembrou que, no dia de sua ordenação, um menino entrou na igreja vestido de padre e entregou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Na oportunidade, uma menina participou da celebração vestida como a santa. “Para mim, foi uma emoção muito grande, pois ela está presente em todos os momentos da minha vida, alguns bem difíceis, outros felizes. É Maria, esta que traz Jesus para a nossa vida”, finalizou.

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