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27/12/18 - 15h20 - atualizada em 27/12/18 às 19h38

Operação Verão alerta para prevenção de afogamentos

Duas mortes por afogamento já foram registradas em Prudentópolis neste mês de dezembro

Da redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

Localidade de Saltinho, em Prudentópolis, registrou dois acidentes fatais em dezembro

O auge do verão combinado às folgas de fim de ano e às férias escolares atrai muita gente para os rios, lagos e cachoeiras na região. Nem sempre são locais com guarda-vidas, o que redobra a necessidade de atenção e de cuidados para que o lazer não se transforme em tragédia.

O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar do Paraná lançaram, na sexta-feira (21), a Operação Verão, que segue até 10 de março de 2018. 

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Desde o início de dezembro já foram registradas duas mortes por afogamento em Prudentópolis, município que integra o recém-criado 10º Subgrupamento de Bombeiros Independente (SGBI), com sede em Irati. No dia 3 de dezembro foi resgatado o corpo de Raquel da Silva, de 19 anos, que morreu afogada na localidade de Saltinho, no domingo, 2 de dezembro. As buscas precisaram ser interrompidas pela falta de luminosidade no local. A retirada do cadáver de dentro da água, no dia seguinte, foi dificultada pela turbidez da água e pela presença de galhos e linhas de pesca. A vítima teria escorregado numa pedra e caído na parte de maior profundidade. O corpo estava submerso a uma profundidade de seis metros.

A segunda morte por afogamento ocorreu no domingo passado (19), na mesma localidade. O jovem Anderson Marques Barbosa, de 22 anos, nadava com amigos pela manhã. Eles almoçaram e, depois, Anderson voltou para a água. Após alguns minutos, os amigos notaram que o rapaz estava se debatendo e eles entraram na água para ajudá-lo. Ele foi retirado da água e trazido pelos amigos para a cidade, onde o levariam para um hospital, mas ele chegou já sem vida.

“Vale a pena as pessoas terem um pouco mais de precaução nesse momento de diversão. Tem feito muito calor e a água é sempre um atrativo. Vamos dar dicas para o pessoal curtir o final de ano e voltar embora feliz”, diz a tenente Carla Spak, subcomandante do 10º SGBI.

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Piscinas

Mesmo que grande parte dos incidentes em meio líquido sejam registrados em rios, lagos, cachoeiras ou no litoral, o perigo não se restringe a eles. As piscinas, nos clubes, nos condomínios e nas casas, também oferecem risco, especialmente onde há crianças.

“As pessoas que têm piscina construída em suas casas, com uma profundidade maior, sempre orientamos que tenha um cercado em torno dela e que sempre tenha um adulto que as acompanhe. No tempo, quem já tem essa piscina em casa o correto é colocar o filho, o mais rápido possível, para se prevenir de acidentes em meio líquido. A criança não tem essa noção, mas se ela aprende, desde pequena, existem cursos que ensinam as crianças a se proteger, mesmo estando vestidas. Quando a criança vai para a piscina, ela está de biquíni ou se sunga. Mas às vezes o acidente acontece quando a criança cai de roupa na água. Em alguns locais, existem cursos que as crianças conseguem aprender a flutuar com roupa e chamar a atenção de um adulto. Porque o tênis, por exemplo, vai fazer um peso”, diz a tenente.

Baldes e bacias

Nas casas, também é necessário que adulto esteja atento a baldes e bacias com água e, ainda, com o tanque de lavar roupas. Qualquer distração pode ser fatal, uma vez que não é preciso que haja profundidade de água para que uma criança se afogue. “Sempre deixar os baldes vazios, com a boca virada para baixo, num local que a criança alcance e evitar deixar roupa de molho de um dia para o outros, porque às vezes tem criança que acorda antes dos pais e eles não percebem que a criança encontrou esse atrativo. Se for preciso, colocar esse balde num local mais alto, onde a criança não consiga acessar”, orienta.

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Rios

A principal orientação é a de evitar locais de banho desconhecidos, pois o rio pode ter profundidade maior do que aparenta ou cavidades de maior profundidade perto de locais rasos. “A mesma atenção pedimos para quem vai fazer trilhas, porque às vezes o pessoal escolhe fazer trilha em locais que tenham água e, de repente, esse rio é um obstáculo e eles tentam passar em locais que não conhecem. Tivemos uma fatalidade em Prudentópolis em que a moça não estava se banhando no rio, ela estava fazendo trilha e, ao se deparar com esse obstáculo que seria o rio, ela acabou escorregando e caindo e, infelizmente, veio a óbito. Tomar cuidado com essas aventuras de final de ano”, frisa.

Outras importantes recomendações são a de evitar o consumo de álcool às margens de rios e usar coletes salva-vidas para a pescaria, pois a falta dele costuma ocasionar fatalidades na região.

“Se algum amigo, conhecido, qualquer pessoa, cair na água, não tente entrar para salvar. Pega uma corda, um objeto que flutue, qualquer coisa em que ele possa se agarrar e se mantenha flutuando e joga uma corda para tentar puxar. Geralmente, quando uma pessoa tenta salvar a outra, acaba afogando a outra sem querer e acaba tendo mais de um óbito no local. Tente lançar alguma coisa para poder puxar essa pessoa para fora da água”, recomenda.

Também se deve evitar entrar na água logo após as refeições. O correto é aguardar pelo menos duas horas, para que o alimento seja digerido. Do contrário, pode ocorrer o chamado “afogamento secundário”: a vítima passa mal, em primeiro lugar, pela indigestão, e acaba sofrendo o afogamento como uma segunda causa.

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Cachoeira

A região é repleta de atrativos naturais como cachoeiras e quedas d’água. Muitos visitantes frequentam esses locais na época das festividades de fim de ano. “Temos cachoeiras belíssimas na região e as pessoas não podem deixar de aproveitar a natureza, mas sempre com cuidado. Geralmente, as cachoeiras formam aquele poço embaixo delas. Como é pedreira, enche de cavernas ali. Às vezes a pessoa pensa que é uma água tranquila, mas o movimento dela embaixo acaba colocando-a em risco”, afirma a subcomandante do 10º SGBI.

A tenente enfatiza a importância de seguir à risca, nesses casos, o lema dos bombeiros quando o assunto é meio líquido: “água no umbigo, sinal de perigo”.

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Litoral

Mais de 2,2 mil profissionais, entre bombeiros e PMs, atuarão no reforço da segurança no litoral, entre eles, dois bombeiros que atuam em Irati: o Cabo Padilha e o Cabo Perez, além de outros bombeiros de União da Vitória, Prudentópolis e São Mateus do Sul.

“Orientamos a quem for ao litoral a sempre procurar o posto de guarda-vidas, que é o local mais seguro. Procurar não entrar onde tem as bandeiras pretas, que sinalizam entreposto, que são locais não cobertos com guarda-vidas e ter um cuidado imenso com crianças também. Só na Operação Verão do ano passado (2017/2018) foram 332 crianças que se perderam dos pais quando estavam no litoral. Quando a praia está muito cheia, às vezes o pai ou a mãe dá uma descuidada e, quando vê, essa criança já desapareceu. Felizmente, algumas pessoas acabam levando essas crianças aos postos de guarda-vidas”, diz.

Os postos de guarda-vidas disponibilizam pulseirinhas para as crianças, onde os pais inserem informações como nome, telefone e endereço, que auxiliam a localização dos responsáveis caso a criança se perca.

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Poços

Na região também são recorrentes os acidentes em poços, inclusive com ocorrências fatais. A tenente adverte para que se evite descer em poços abandonados há muito tempo para realizar a limpeza, algo que é comum nessa época de ano. Esses locais, depois de muito tempo fechados e por não terem ventilação, armazenam gases que atrapalham a respiração e podem levar a desmaios e fazer a pessoa morrer afogada no fundo do poço.

“Não desça em locais que estão, há muito tempo, abandonados. Nesses poços se formam gases e as pessoas descem para limpar ou fazer alguma coisa e acabam passando mal e não chamam o bombeiro. Um tenta salvar o outro, o que acaba pondo mais pessoas em risco”, alerta.

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Região

Em todos os quartéis (Irati, Prudentópolis, São Mateus do Sul e União da Vitória) há equipes de plantão, prontas para qualquer emergência. São esses bombeiros que devem atender, também, qualquer eventualidade em municípios onde há cobertura dos Bombeiros Comunitários (BC).

“Há uma previsão legal, eles [os bombeiros comunitários] têm uma legislação específica e, dentro dela, não cabe o serviço de salvamento ou busca. Mesmo nos locais onde temos BC, que são Imbituva, Rebouças e Mallet, tem que fazer o acionamento do Corpo de Bombeiros”, ressalta.

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