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20/01/20 - 20h57 - atualizada em 20/01/20 às 21h18

Grupo de prevenção ao suicídio realiza encontros semanais em Irati

Projeto idealizado pela psicóloga Daniele Pires Soares visa acolher jovens e adolescentes e contribuir no processo de interação e socialização com a sociedade

Da Redação, com reportagem de Paulo Henrique Sava 

Projeto Juventude Viva foi idealizado pela psicóloga Daniele Pires Soares (foto)

De acordo com dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS Brasil) cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Os dados de 2016 ainda mostram que o suicídio foi a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. Pensando em mudar essa realidade e criar mecanismos de combater esse grave problema de saúde pública, um grupo de prevenção ao suicídio iniciou os encontros semanais em Irati no recém-inaugurado Centro da Juventude Nagib Harmuche. As reuniões do projeto Juventude Viva acontecem nas segundas-feiras a partir das 19 h.

Ouça o áudio da reportagem no fim do texto

Em entrevista à Najuá, a psicóloga Daniele Pires Soares, que idealizou a iniciativa, disse que a ideia de promover a atividade surgiu depois que ela teve contato com adolescentes que já tentaram tirar a própria vida. “Essa ideia realmente brotou do coração, é um trabalho voluntário e gratuito para os nossos jovens. Infelizmente ele surgiu da necessidade de situações muito reais bem pontuais do consultório mesmo onde jovens de 13, 14, 15 anos com tentativa de suicídio. São situações que chocam, machucam muito a gente e muitas vezes deixam a gente sem ação. Os pais desses jovens como que ficam. É bem complicado. O projeto nasceu desse desejo de abraçar, de acolher, trazer um pouco assim a realidade de fora para esse jovem, trazer afeto e trabalho comunitário bem bacana talvez uma terapia comunitária todos juntos, trabalho bem dinâmico, divertido e a gente vai ter muitos parceiros colaborando com a gente”, relata a psicóloga.

A secretaria de Assistência Social cedeu o espaço do Centro da Juventude para os encontros, que começaram na segunda-feira, 13.

Daniele afirma que as atividades serão desenvolvidas conforme as necessidades do público e terão duração entre uma hora e uma hora e meia. Um dos objetivos é incentivar os jovens a realizarem atividades físicas e coisas que possam ocupar a mente. “A grande intenção é fazer esse jovem fazer algo diferente e externo. Aí que entram os nossos parceiros. Eu já vou mais a fundo sair do quarto. Porque muitos estão trancados dentro do seu próprio quarto e seu próprio mundo”, comenta.

O projeto terá apoio de profissionais do município que realizam trabalhos com jovens como é o caso da Patrulha Escolar, que discute o uso de drogas e outros vícios com os alunos. Daniele diz que já foram estabelecidas algumas parcerias, inclusive com um médico. A meta é trabalhar temas como ansiedade e depressão que estão associados ao suicídio. “A gente está com o doutor Lucas. Ele entende muito dos jovens, adolescência, entende muito de depressão, quando a gente fala em suicídio para não chegar nesse ponto. A gente quer trabalhar com a ansiedade porque está muito grande o nível de ansiedade nos nossos adolescentes e jovens. Infelizmente 2020 será o ano da depressão a gente não quer isso, mas a ONU [Organização das Nações Unidas] coloca isso para nós. O doutor Lucas trabalha com esse quadro, ele vai contribuir e trabalha de forma muito segura com trilhas, caminhadas, algo externo. A gente vai discutir tudo isso com os nossos jovens. [Queremos descobrir] o que eles querem. Vamos delinear um caminho bem bacana para eles”, afirma a idealizadora do projeto.

Outro voluntário pretende estimular a criatividade dos jovens fazendo pinturas em muros ou em paredes que sejam desativadas. Haverá também uma pessoa incentivando a plantação de árvores e outra que vai abordar a colocação do jovem no mercado de trabalho. “Então vai ter alguém que vai auxiliar, orientar, instruir e mostrar como se capacitar para esse mercado. A gente vai qualificar essa mão de obra para quem quiser. Temos apoio de alguns profissionais da PM. O [policial] Eliezer abraçou a causa. Eles trabalham muito com jovens e tem uma capacidade muito grande de atendimento quanto a droga, vícios. Então, estaremos debatendo muitas coisas bacanas, mas ficará aberto aos jovens o que eles estão buscando a gente vai desenhar o projeto da maneira que eles querem”, ressalta Daniele.

As inscrições podem ser realizadas no Centro da Juventude. O projeto está aberto a sugestões e colaboração da comunidade iratiense. Informações com Daniele (42) 9-9951-0265.

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