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18/05/17 - 02h21 - atualizada em 18/05/17 às 19h14

Gerente de supermercado contesta informações sobre carne apreendida

Apreensão de 200 kg de carne imprópria para consumo humano foi feita pela Vigilância Sanitária de Irati no final de abril; informações foram divulgadas pelo facebook oficial do órgão

Da Redação, com informações facebook Jeff Reinholds  


Carne apreendida durante a inspeção

O gerente do supermercado G-Center de Irati, alvo da apreensão de 200 Kg de carne, considerada imprópria pela Vigilância Sanitária, falou a Jeff Reinholds em sua página no facebook, na quarta-feira (17). Ele alegou que o caso não passou de um mal-entendido, pois durante a vistoria de rotina, os agentes sanitários localizaram “cambitos”, que são ossos da perna do boi com restos de carne, que já seriam encaminhados para descarte.

Mais cedo, no dia 11 de maio, o órgão municipal de Vigilância Sanitária divulgou em página oficial também do facebook, sem revelar o nome do estabelecimento comercial, que "apreendeu e inutilizou aproximadamente 200 quilos de carnes com a data de validade vencida e em mal estado de conservação. As carnes estavam armazenadas na câmara fria de um supermercado e sendo cortadas para serem vendidas como carne moída". O material apreendido foi posteriormente descartado no Aterro Sanitário de Irati. No entanto, apesar de não estar descrito na nota, o nome do estabelecimento foi tornado público.

O gerente e proprietário Marcos Griczinski contesta as informações divulgadas e afirma que a carne referida na verdade se trata de “cambitos” que não são disponibilizados ao consumidor final e são acondicionados exclusivamente para o descarte adequado de resíduos orgânicos. Ele conta que o caminhão que recolhe esse tipo de resíduo (ossos e sebo) passa semanalmente pelo estabelecimento e aconteceu de a inspeção ocorrer um dia antes da coleta. 

O gerente do mercado ainda explica que foram apreendidos 15 quartos traseiros de boi. Cada boi, que pesaria aproximadamente 260 kg, é dividido em quatro partes (quarto), cada um com cerca de 65kg. No cálculo do gerente do mercado, 15 quartos traseiros corresponderiam a quase uma tonelada de carne (975kg). Portanto, segundo ele, os 200 kg não dizem respeito à carne, mas apenas a resíduos como ossos e gordura. Contudo, o resíduo apreendido estava próximo a outra bacia onde continha carne, que também teria sido apreendida para análise microbiológica. 

A inspeção teria ocorrido no dia 26 de abril e os fatos foram divulgados pelo órgão municipal somente no dia 11 de maio. Marcos afirma, ainda, que dias depois da apreensão, amostras de carne que foram levadas para análise microbiológica foram devolvidas pela Vigilância Sanitária sem que se tenha feito o exame. O comerciante contesta o procedimento e diz que a atitude retira dele o direito à ampla defesa, pois confirmaria que a carne apreendida não tinha validade vencida nem estava atrelada aos “cambitos” que aguardavam a coleta para descarte de resíduos. 

O próprio supermercado acionou a Vigilância  

Em janeiro, conforme o gerente, em outra unidade da rede, o equipamento de refrigeração foi desligado involuntariamente na virada do ano, fato observado por um funcionário no dia 2 de janeiro, na reabertura do estabelecimento. Na ocasião, a própria administração acionou a Vigilância Sanitária para acompanhar o descarte de carnes e laticínios, que somaram prejuízo de R$ 76 mil ao supermercado.


A Vigilância Sanitária de Irati foi procurada pela equipe de Jornalismo da Najuá e,  já com entrevista agendada, cancelou, prometendo se manifestar através de nota que será encaminhada pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Irati. 

Repercussão motivou nota posterior do órgão

Após a divulgação do fato e dos questionamentos da população sobre a não divulgação do nome do estabelecimento onde havia ocorrido a apreensão de carnes, a Vigilância Sanitária publicou uma nota no seu perfil oficial no Facebook.

Segundo a publicação realizada no dia 14 de maio, a ação não possui qualquer relação com a operação Carne Fraca. A apreensão ocorreu durante vistoria de rotina, com a aplicação de medidas cautelares diante da infração constatada.

O supermercado foi autuado e responde a processo administrativo sanitário para a fixação de penalidade, garantido a ampla defesa. De acordo com a vigilância sanitária, a apreensão e inutilização dos produtos foram suficientes para sanar o risco sanitário. Não foi necessária a interdição do estabelecimento.

"A divulgação das ações realizadas está prevista no artigo nº 538 do Código de Saúde do Paraná. A divulgação de nomes ou outros dados dos envolvidos, sem consentimento ou autorização judicial pode incorrer em processo criminal para quem o fizer. A intenção da página criada no facebook é informar as ações realizadas, para que a população saiba que estamos trabalhando para melhorar cada vez mais a segurança sanitária dos produtos e serviços de interesse à saúde em nossa cidade", diz um trecho da nota publicada pela Vigilância Sanitária.

Carnes foram descartadas no Aterro Sanitário Municipal

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