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30/05/14 - 23h21 - atualizada em 31/05/14 às 10h29

Domingos Pellegrini atrai público jovem na primeira noite da FIEL

Jornalista e escritor de Londrina, vencedor de dois prêmios Jabuti de Literatura, foi a grande atração do primeiro dia da Feira Iratiense Estudantil do Livro
Edilson Kernicki, com reportagem de Paulo Henrique Sava

O escritor e jornalista da cidade de Londrina, Domingos Pellegrini, duas vezes vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria crônica em 1977 e romance, em 2001, foi a atração principal da primeira noite da Feira Iratiense Estudantil do Livro, que abriu nesta quinta (29) e segue até o domingo (1º), no Clube do Comércio. Pellegrini falou especialmente do haicai, um gênero poético oriundo do Japão, que conquistou a juventude mundo afora e possui muitos apreciadores e entusiastas em Irati.

O prefeito Odilon Burgath comentou o início do evento e demonstrou estar contente com a movimentação de público. “Vim verificar o grande público, lotou o Clube do Comércio. Foi assim também na parte da manhã. Na edição de 2013 da FIEL tivemos a presença de cerca de 2 mil pessoas e só nesse dia 29, da abertura, nós já tivemos mais de mil pessoas aqui. Estendemos para a parte da noite também para que as famílias, os pais possam vir com seus filhos verificar as obras, acompanhar as apresentações”, afirmou. Odilon espera que o sucesso da primeira noite prossiga ao longo do restante do evento.

Pellegrini abusou das metáforas poéticas ao deixar para os iratienses uma mensagem sobre o que espera para seu futuro: “Que Irati continue vivendo como as montanhas de coral nos oceanos. Cada montanha de coral às vezes chega a quilômetros de altura no fundo do oceano, mas ela é feita camada sobre camada. A única camada viva é a última, as outras são de calcário petrificado. Ali não há mais vida. Mas as cidades são assim: a geração que vive vem de gerações que se foram e devem trabalhar para que novas gerações venham. A cidade é uma construção viva e permanente. E nós, que estamos aqui agora, devemos trabalhar para merecer o que nos foi dado e deixar um legado melhor para os que virão. Que Irati viva muitos anos mais e muito bem”, manifestou.

A respeito do gênero haicai, o escritor explicou que até a metade do século XX o soneto era a grande expressão poética. O soneto é formado por 14 versos – duas estrofes com quatro versos (quartetos) e duas com três (tercetos), no soneto petrarquiano ou italiano; três quartetos e um dístico, no soneto inglês ou shakespeariano ou uma única estrofe de 14 versos, no soneto monostrófico. Por essa composição fixa, Pellegrini considera o soneto um tanto engessado.

“É um artefato, é uma forma poética meio quadrada, tem quatro estrofes, tem um esquema quadradão. Foi tão popular no mundo que se chegou a fazer soneto no Japão. Os jesuítas levaram os sonetos para lá e havia japoneses convertidos ao cristianismo, que aprendiam a língua portuguesa, espanhola, francesa e faziam sonetos. Até no Japão se faziam sonetos”, contou.

O escritor explica que o processo de difusão cultural se inverteu a partir da globalização, quando a cultura oriental passou a se propagar no sentido do Ocidente também, trazendo consigo o haicai. “As pessoas do Ocidente se encantaram pelo haicai: a sua forma trina, com apenas três versos curtos, com a mirada de vida, procurando extrair da natureza mais do que apenas a própria natureza; extrair espírito, lições, faíscas, ideias e emoções. E isso encantou o mundo inteiro. Acredito que hoje o haicai é a forma poética mais praticada no mundo, que continua em crescimento e em diversidade”, apontou o autor.

Pellegrini ficou encantado com o a forma como público iratiense se comportou


Poesia do instante

A instantaneidade do haicai, que é uma poesia curta e que demanda pouquíssimo tempo para ser lida por completo, faz com que o jovem leitor se sinta atraído pelo gênero, que ganha cada vez mais adeptos que, além de lerem, se aventuram a compor seus textos próprios.

“Ele [o haicai] é uma ponte, é um primeiro degrau de uma escalada do jovem para o conhecimento do mundo artístico e da fruição cultural, de ver como é gostoso ter cultura, lidar com arte, mexer com história, ter uma visão geográfica, enfim, ganhar o mundo não só com os olhos do globo ocular, mas com os olhos que estão atrás, que são o cérebro. Então, o haicai é uma grande isca para a pescaria da cultura”, atribuiu o escritor Domingos Pellegrini.

O autor se mostrou encantado com o público que atraiu em Irati, pelo interesse e respeito manifestados pelo que ele tinha a dizer. “Com umas três centenas de pessoas eu temi por alguma coisa que acontece às vezes, como impaciência, começa um burburinho, mas o pessoal se manteve atento, demonstrando uma acuidade e um interesse que eu achei bastante notáveis. Gostei muito, vi pessoas interessadas no que eu estava falando. Espero ter merecido essa atenção”, ressaltou.

Pellegrini disse que já viu lotação semelhante em outros locais por onde passou, mas diferenciou Irati em relação às demais cidades no aspecto da ordem, da organização, apesar do grande movimento de pessoas. “O evento está transcorrendo em ordem. Vi gente andando com livros pelo prédio todo. O pessoal aqui muito atento e isso é muito salutar. Sabe o que me lembrou? A Alemanha. A ordem e o interesse cultural como há em nenhum outro país do mundo”, comparou. 

Grande público esteve presente acompanhando a apresentação de Domingos Pellegrini

Prefeito Odilon, Domingos Pellegrini e secretária de Cultura Claudete Basen

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