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14/10/18 - 23h16 - atualizada em 14/10/18 às 23h35

Dagoberto comenta medidas para conter enxurradas no centro de Irati

Na terça-feira passada (9), choveu 45 milímetros em apenas 15 minutos. Com isso, Rua 7 de Setembro e proximidades da rodoviária sofreram com enxurradas

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub e Paulo Henrique Sava 

Fotos das enxurradas: WhatsApp/Divulgação

A chuva forte voltou a causar apreensão nos moradores de Irati em regiões onde costumam ocorrer alagamentos em função da capacidade insuficiente de escoamento de águas pluviais pelas galerias. Na noite da última terça-feira (9), ouvintes encaminharam fotos com vários pontos de ocorrência de enxurradas, como nas imediações da Copel – entre as Ruas Alexandre Pavelski e Conselheiro Zacarias, bem próximo da área onde se executam as obras do Canal Hídrico, entre a Rua Carlos Thoms e a Praça da Bandeira.

Em participação no programa “Meio Dia em Notícias” de quarta-feira (10), o secretário de Arquitetura, Engenharia e Urbanismo de Irati, Dagoberto Waydzik, destacou que, em apenas 15 minutos, houve precipitação acumulada de 45 milímetros, segundo registrado pelo engenheiro Rafael Obrzut num pluviômetro. Num comparativo, é como se tivesse acumulado 45 litros de água sobre um espaço de um metro quadrado nesse intervalo de tempo, explicou.

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Confira o áudio com a entrevista completa de Dagoberto no fim do texto

“A administração está fazendo todos os esforços possíveis para minimizar esse problema. Terminar com ele totalmente é quase impossível, mas estamos fazendo obras e planos. Sempre haverá necessidade de obras de drenagem na cidade”, disse.

Sobre o Plano de Drenagem, o engenheiro acredita que será esse o maior legado deixado pela atual administração municipal. “Existe uma Comissão de Acompanhamento, foi feito um diagnóstico de todas as microbacias, dentro da grande bacia do Rio das Antas, foram feitas algumas reuniões técnicas, algumas com a população. Agora, está na fase do prognóstico”, acrescentou. Ou seja, a partir de agora, o Plano de Drenagem precisará ser seguido à risca.

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Segundo Dagoberto, deve ser formulada uma nova lei sobre uso e ocupação de solo, com uma taxa de ocupação menor que a existente hoje – a fim de reduzir a impermeabilização do solo. “Temos que trabalhar o problema em sua origem, tentando fazer bacias de contenção. Hoje temos alguns loteamentos na parte alta da cidade que estão agravando o problema na parte baixa. Com uma legislação nova, talvez com bacias de contenção, uma taxa de impermeabilização menor do que a que existe hoje, vai minimizar esse problema”, afirmou.

Outro viés do Plano de Drenagem seria fazer as bacias de contenção ao longo do Arroio dos Pereira, do Arroio da Lagoa, da Vila São João e no Rio das Antas, para reter essa água durante um período de tempo antes de ela extravasar.

Depois de uma reunião técnica, ainda devem ocorrer duas audiências públicas em que a população poderá participar e opinar na elaboração do Plano. Recentemente, foi concluído o terceiro de uma série de oito meses de duração desse plano. A expectativa de Dagoberto é a de que o Plano esteja concluído até maio. “Aí ele terá que ser apreciado nessas audiências públicas e pelo Concidade, ser aprovado e ir para a Câmara de Vereadores e, posteriormente, ser sancionado pelo prefeito, para todas as próximas administrações seguirem essa legislação”, antecipou.

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Canal hídrico

“A parte hidráulica do Canal Hídrico já está concluída. Agora falta a parte de pavimentação. Graças a Deus, ele funcionou bem. Houve um probleminha na Carlos Thoms com a Munhoz da Rocha, mas devido à enxurrada, ou à água que vem de cima, numa velocidade muito grande, com muita sujeira, talvez advinda do lixo, talvez do condomínio que recentemente foi aberto na parte de cima do [Colégio] São Vicente, que trancou algumas bocas-de-lobo. Houve uma água por cima, mas nada além de dez centímetros e não afetou aos lojistas nem as casas dali”, comentou o engenheiro.

Essa etapa do Canal Hídrico já está concluída, segundo Dagoberto. Agora se inicia o levantamento da área desde a Rede Ferroviária até o Rio das Antas, para sua continuidade. “Mas tudo isso depende de verbas, de emendas. Antes, precisamos fazer um orçamento, quando houver esse projeto pronto. A própria empresa que está elaborando o Plano de Macrodrenagem, a Ferma Engenharia, vai nos dar qual vazão que vai fluir no Arroio dos Pereira”, explicou.

Um dos locais mais afetados pela chuva forte de terça-feira (9) foi a rodoviária de Irati

Outros pontos de enxurrada

Ainda na região central, a Rua Sete de Setembro e as ruas que circundam a rodoviária de Irati sofreram consequências da enxurrada. Dagoberto explanou a respeito do que pode ser feito para melhorar a vazão de águas pluviais nessa área e impedir as enxurradas.

A Rua Sete de Setembro é afetada pelo Arroio dos Pereira. “Nós tratamos, no Canal Hídrico, vamos dizer assim, o ‘tumor’ maior que era no centro da cidade. Agora, tem que vir a jusante, ou seja, de lá do Rio das Antas até a rodoviária. Para isso, teremos que alargar o Arroio dos Pereira e fazer três novos pontilhões, tanto na Rua General Carneiro, quanto na Rua dos Operários, como na Rua da Liberdade. Ali está o estrangulamento, que está extravasando. Sobre isso, quem vai falar é o projeto. Já fizemos um muro de arrimo lá embaixo, na foz do Arroio dos Pereira, onde houve um desmoronamento”, expôs.

Ruas próximas da Copel também ficaram com grande quantidade de água acumulada após chuva forte de terça-feira (9)

Em volta da rodoviária também há problemas com enxurradas. “Foi impermeabilizada uma área muito grande no entorno da rodoviária sem prever uma vazão insuficiente para essa água. Não precisava ter impermeabilizado tudo. Mas como já está feita a obra, temos que tratar de corrigir esse fluente de água”, opinou. Segundo Dagoberto, ali precisa ser feita uma nova galeria.

A Rua Alexandre Pavelski, paralela à Rodoviária, recentemente passou por obras para a reestruturação da galeria pluvial. O trecho da rua na lateral da Copel costumava acumular a água que desce por toda a extensão dessa rua, desde o alto, próximo da BR-153, até a Conselheiro Zacarias. “Fizemos uma [galeria] na Alexandre Pavelski, mas ainda não está terminada. Temos que atravessar terrenos particulares e a Rede Ferroviária para chegar àquele arroio que vai sair no Dallegrave”, disse.

Dagoberto avaliou que a dragagem do Rio das Antas feita em 2017, no trecho desde a BR-277 até o Dallegrave contribuiu sobremaneira para minimizar muitos problemas que poderiam surgir. “Além disso, está sendo feita uma galeria na Miguel Bay [na Vila Nova], que está paralisada por conta de a Sanepar não fazer alguns serviços necessários lá. Foi também feito um muro de arrimo no Arroio dos Pereira perto da Associação da Copel e na XV de Novembro; a dragagem do Arroio da Lagoa; uma galeria no Riozinho, outra na Vila São João e a limpeza do lago do Parque Aquático, que aparentemente não influenciaria numa enchente, mas influencia, sim, porque estava totalmente assoreado. Dependendo das emendas e verbas que conseguirmos, a atual administração e as próximas vão seguir esse Plano de Macrodrenagem para diminuir esse problema das enxurradas na cidade de Irati”, concluiu.

Ouça a entrevista completa com Dagoberto Waydzik 


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