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15/02/19 - 10h52 - atualizada em 15/02/19 às 17h38

Construtora Derbli é citada em denúncia do MPF sobre empresários da Caminhos do Paraná

Lava Jato descreve como o dinheiro de propina era gerado pelas concessionárias do anel rodoviário paranaense
Da Redação 
Matéria atualizada no dia 15 de fevereiro, às 17h35, com o posicionamento da Caminhos do Paraná. Veja no fim do texto

De acordo com o Ministério Público Federal do Paraná (MPF), a Construtora Derbli, de Irati, figura como a principal fonte de dinheiro em espécie do esquema investigado que envolve a Caminhos do Paraná. A empresa é citada em denúncia sobre pessoas físicas, políticos e empresários envolvidos em esquema de propina das concessionárias do anel viário paranaense. O MPF descreve que a Derbli sacou, no período de vigência do esquema, ao menos R$ 41.021.661,01 para entregar a Ruy Giublin, Carlos Lobato e José Julião Terbai Junior, que representavam interesses da concessionária e repassavam os valores a João Chiminazzo Neto (ex-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias- ABCR), para abastecimento do esquema de propinas. 

No dia 25 de janeiro, o MPF denunciou pessoas físicas, políticos e empresários que representam as concessionárias de rodovias no Paraná, incluindo o ex-governador Beto Richa, sua esposa, Fernanda, seus filhos e seu irmão Pepe Richa, ex-secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, por lavagem de dinheiro, esquema de propina entre outros crimes de corrupção.

Certifique-se das informações oficiais do MPF sobre a Lava Jato.

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O dinheiro de propina entregue em espécie pelas concessionárias era obtido mediante a produção de caixa 2, por intermédio da celebração de contratos inteiramente fictícios ou através da celebração de contratos verdadeiros, mas com “valores inflados”.

Os delatores da Lava Jato, Nelson Leal Junior, então diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná (DER-PR), Hélio Ogama e Hugo Ono, ambos da Econorte, informaram que as empresas Triunfo, J. Malucelli, Iacom, Iasin, CSO e Via Arte, ITAX (cujo nome é Pavimentação e Terraplanagem Schmitt e a Construtora Derbli), geravam caixa 2 porque eram indicadas por Pepe Richa e Deonilson Roldo (ex-chefe de Gabinete e secretário de Comunicação Social na gestão de Beto Richa) para as concessionárias contratarem.

Na documentação apresentada pelo MPF consta que a empresa Derbli também recebeu valores vultosos da Caminhos do Paraná e de outras empresas integrantes do grupo econômico controlador da concessionária, entre elas a Construtora dos Campos Gerais Ltda, com endereço registrado em Irati, Rua Coronel Grácia, 154, da qual recebeu a quantia de R$ 26.453.455,51. O local indicado pela Campos Gerais, até pouco tempo era um terreno baldio e hoje existe um prédio residencial no endereço. Logo após a conta da DerbliI receber créditos, inúmeros cheques foram descontados na “boca do caixa”, além de terem “saques em dinheiro”.

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Em setembro de 2018, quando foi deflagrada a “Operação Integração II” houve busca e apreensão de documentos em Irati, na Concessionária Caminhos do Paraná e na empresa Derbli. Na época, em nota, a empresa disse não estava sendo alvo de investigação e que apenas forneceu documentos referentes à contratações com a Caminhos do Paraná.

Já o MPF-PR informa que na ocasião da busca “constatou-se que a empresa Derbli lançava altos valores ‘disponibilidade em caixa’, quando, na prática, não existia no caixa da empresa equivalente disponibilidade de recursos. A discrepância demonstra que os vultosos saques da empresa foram contabilizados falsamente”.

Com a palavra o MPF-PR

A nossa reportagem procurou o MPF que informou estar na fase de denúncias de pessoas físicas e que as investigações estão em andamento e denúncias de pessoas jurídicas ainda não foram feitas.

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Com a palavra a Construtora Derbli

A Construtora Derbli foi procurada por nossa reportagem para que pudesse se manifestar, mas não retornou nossas solicitações até o momento. O espaço segue à disposição para esclarecimentos da empresa.

Com a palavra a Caminhos do Paraná

A concessionária Caminhos do Paraná se manifestou através de nota. "A Construtora Derbli realizou inúmeras obras no trecho sob responsabilidade da concessionária, portanto não há que se falar em contratos fictícios. A Caminhos do Paraná e seus ex-executivos apresentarão defesa conforme os prazos legais. A empresa tem absoluta certeza da integridade de seus atos e do fato de que a região Centro-Sul do Estado tem passado por uma profunda transformação na qualidade de sua infraestrutura e em seus indicadores socioeconômicos, em grande parte em função das obras realizadas e dos empregos e impostos gerados com a concessão. A Caminhos do Paraná confia na Justiça e espera, em breve, que se esclareçam as denúncias infundadas que tem contra si".

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