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10/10/17 - 15h19 - atualizada em 10/10/17 às 15h30

Agricultores são inocentados de desvio de recursos do PAA em Irati

Denúncia foi apresentada em 2013 contra a Associação dos Grupos de Agricultura Ecológica São Francisco de Assis. Ato público de absolvição foi realizado na Câmara de Vereadores nesta sexta-feira, 06

Paulo Henrique Sava

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Os agricultores iratienses Gelson Luiz de Paula e Roberto, além de Nelson Macaroni, de Inácio Martins, integrantes da Associação dos Grupos de Agricultura Ecológica São Francisco de Assis, foram absolvidos da acusação de desvio de recursos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Paraná em 2013.  

Um ato público de absolvição foi realizado nesta sexta-feira, 07, na Câmara de Irati. Diversas autoridades marcaram presença no evento, que teve mais de 3 horas de duração. Em seu depoimento, o agricultor Gelson Luiz de Paula, relatou que, na época da denúncia, colaborava com a Associação em algumas atividades. Ele diz que chegou a pernoitar junto com Nelson Macaroni nas instalações do Instituto Equipe de Educadores Populares (IEEP), na Vila São João. O agricultor conta que a Polícia Federal chegou em sua residência perguntando se ele tinha participado do PAA em 2009 e 2010, informação confirmada por Gelson. Na época da prisão, ele era presidente da Associação e atuava em um cargo comissionado na Secretaria Municipal de Ecologia e Meio Ambiente, do qual acabou sendo exonerado. 

“Os prejuízos foram enormes: como eu gostava de participar dos movimentos políticos, desde aquilo, as participações foram diminuindo com a prisão. Na semana seguinte, eu fui exonerado do cargo. Fiquei 64 dias preso e logo que saí, a exoneração já saiu. Depois que eu voltei (da prisão), as coisas ficaram mais difíceis”, desabafou. 

O agricultor Nelson Macaroni, de Inácio Martins, ficou bastante emocionado ao relembrar o momento da prisão e foi aplaudido pela plateia que acompanhava o evento. “Muitas vezes eu pensava que iria sair de lá e pedir perdão pelo sofrimento que eles passaram”, disse ele, aos prantos.  

“Fui preso sim, mas sei que eu tenho valor na luta junto com as demais pessoas do grupo. As pessoas que me conhecem sabem do valor que a gente tem, e é assim que eu vou continuar. Estes 64 dias que eu fiquei preso lá não foram uma página apagada, mas apenas recomeçamos nossa luta”, afirmou.

Fotos: Paulo Henrique Sava


O agricultor Roberto, integrante da Associação, comenta que foi abordado pela PF no momento em que se deslocava para uma comunidade para pegar alimentos. “Isto foi o absurdo dos absurdos que uma autoridade faz com pessoas idôneas, que estão vivendo em uma comunidade humilde. Da forma como nós e outras pessoas fomos abordados, dentro da nossa comunidade, para mim foi uma verdadeira injustiça cometida de uma forma brutal”, frisou. 

O deputado estadual Péricles de Holleben Mello (PT) comentou que os agricultores passaram por um verdadeiro “calvário” nestes últimos três anos. “Foi totalmente injusto, pois o estado policial foi utilizado para destruir o programa mais maravilhoso da agricultura familiar, que é o PAA. Não tiveram nenhum pudor em prejudicar imensamente a vida destes agricultores do ponto de vista simbólico, pois eles jamais poderiam ser presos por não terem nenhum antecedente criminal, e mesmo que tivesse alguma suspeição sobre eles, jamais poderiam ter ficado 60 dias na prisão. Felizmente, a justiça está sendo feita, mas não basta este ato, que é muito importante: temos que fazer um ato na Assembleia Legislativa, no qual estes advogados e produtores possam falar na tribuna, para que seja mostrado para todo o povo paranaense e brasileiro”, frisou. 

Já o deputado estadual Professor Lemos (PT) afirmou que já sabia da inocência dos agricultores iratienses. Ele afirmou que os mesmos passaram por um período de humilhação na cadeia. “Felizmente, a justiça se fez: os nossos agricultores foram inocentados, e não restou nenhuma dúvida sobre a honestidade destes companheiros. Precisamos fazer este ato para que a população possa receber esta informação de que estes companheiros foram injustiçados pelo estado brasileiro. Eles são inocentes”, ressaltou. 

Na opinião do Deputado Federal Assis do Couto (PDT), a situação vivida pelos agricultores foi bastante dolorosa. No entanto, ele afirma que não houve uma divulgação maior sobre o andamento do caso para que a vida dos envolvidos fosse preservada. “Agora que foram absolvidos, nós começamos a fazer um processo de discussão pública disso, ou seja, não basta só a absolvição legal, técnica e jurídica, que pode cair no esquecimento: nós trouxemos para a sociedade de Irati um fato que aconteceu e queremos dizer que estas pessoas são inocentes”, comentou. 

De acordo com o deputado, houve um equívoco gravíssimo e um caso de abuso de autoridade na prisão dos agricultores. “A gente quer que isto não pare por aí, mas que estas pessoas sejam reconhecidas pela sociedade de Irati e da região como inocentes”, pontuou. 

Desde 2003, a Associação Assis é referência nacional na execução de programas como o PAA e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e no debate da agroecologia. 

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