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31/07/18 - 13h04 - atualizada em 11/02/19 às 17h35

A custo zero, lixo é transformado em madeira sem produzir subproduto

Contrato com a empresa Atena e a prefeitura de Irati foi assinado, mas a intenção é ampliar para outros municípios da Amcespar; prazo para iniciar operação depende ainda de licenciamento da área

Jussara Harmuch


Foi assinado o contrato entre município de Irati e a Atena Engenharia Industrial, do Rio de Janeiro, para a transformação do lixo doméstico em madeira biossintética, utilizando-se da tecnologia desenvolvida por outra empresa associada, a EKT (Ekological Technologies), instalada há mais de 20 anos em Novo Hamburgo, RS.

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A empresa foi licitada na modalidade de "dispensa" no dia 18 de junho, com o valor máximo (simbólico) de R$ 0,01. O prazo de vigência é de 30 anos, a previsão de aproveitamento inicial é de 50 toneladas dia. O início da operação depende ainda do licenciamento da área que está sendo cedida pela prefeitura, no distrito industrial da Vila São João, ao lado da Yasaki e Acome, onde já está sendo construído um barracão de 2 mil m². Pretende-se transferir as cooperativas de recicláveis para o mesmo local, com a construção de um segundo barracão, pois a prefeitura renovou paga aluguel de R$ 8.123,41/mês no imóvel da Vila Nova, onde estas estão instaladas hoje. A partir da liberação de todas as licenças, a empresa tem prazo de 6 meses para iniciar as atividades.

Área na Vila São João pode receber também as cooperativas de recicláveis

O lixo pode virar um material semelhante ao paver, para calçadas, e outros materiais para diferentes tipos de construção. Produzido a partir de resíduos plásticos e resíduos fibrosos ou minerais, tem em média 50% menor peso e 6 vezes menor volume que o resíduo e não apresenta odor. Não polui e não gera subproduto, é o que foi apresentado pela EKT.

"O compromisso é de não desviar o lixo produzido em Irati durante os 30 anos de contrato", informa o prefeito de Irati, Jorge Derbli, na assinatura do contrato

“Para o município, uma coisa quase inacreditável, não terá nenhum custo a não ser arrumar uma área. Não haverá isenção de imposto, o compromisso é de não desviar o lixo produzido em Irati para outra finalidade. No que diz respeito a outros municípios é uma questão de negociação entre a empresa e os outros municípios, isso ainda não foi estudado”, conta Derbli, que admite a necessidade de aumentar a quantidade de resíduos encaminhados, com o consorciamento, para dar viabilidade ao negócio.

A solução encontrada resolve o problema de interdição do aterro sanitário do Pinho de Cima, que vinha sendo tratado pelo Ministério Público, e apresenta uma nova forma de destinação do lixo tirando proveito da transformação dos resíduos. Irati será pioneira nesta forma de produção de madeira. “Nós seremos uma vitrine para outros municípios, por isso que não teremos custo. Muitas pequenas empresas irão se instalar em Irati para trabalhar com esta matéria prima. A empresa vai gerar cerca de 50 empregos”, comemora o prefeito, explicando que o contrato prevê o processamento da coleta diária e a descontaminação do aterro sanitário. Em Novo Hamburgo, onde uma comitiva de Irati esteve visitando, o processamento é feito a partir de resíduos industriais, assim como na outra fábrica instalada no Brasil, em Araucária.  

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A intenção é ampliar para outros municípios da Associação dos Municípios da Regional Centro-Sul do Paraná – Amcespar. O prefeito de Rebouças, Luiz Everaldo Zak, veio assistir a assinatura com o objetivo de adiantar conversas para incluir o município em futuro consórcio.

Cabral descobriu

O vereador Valdenei Cabral (PDT), que é líder do governo, foi o agente intermediador da negociação na busca de uma alternativa para o transbordo do lixo, depois que o reajuste da tarifa no ano passado foi votado com dificuldade. “Procurei amigos que já trabalhavam com isso. Foi através deles que a empresa nos procurou aqui na Câmara e em seguida falamos com prefeito, mesmo quase que não acreditando muito, mas hoje está se transformando em realidade”, comenta. O valor que se gastaria com o transbordo estava cotado em cerca de R$ 220 mil mensais, para transportar cerca de 35 toneladas de lixo/dia.

"Fui atrás de informações para ajudar a resolver o problema", Nei Cabral, vereador de Irati

Não haverá nenhum tipo de interferência com as cooperativas de reciclagem e catadores, garante a secretária de Ecologia e Meio Ambiente, Magda Lozinski, pois a empresa vai usar apenas os material misturados ao lixo doméstico, que está sujo e hoje vai junto para o aterro e a coleta do lixo orgânico continuará sendo feita pela empresa HMS, sem alteração.

Para a promotora Gabriela Cunha Melo Prados, apesar de parecer algo muito bom para ser verdade, tudo indica que será mesmo da forma como a empresa se propõe.

O gerente regional do Instituo Ambiental do Paraná – IAP, Marcelo de Mattos, também presente na assinatura, disse que o licenciamento não depende apenas da avaliação do escritório em Irati. “É feito em conjunto com uma câmara técnica que já existe na estrutura do órgão”, porém ele informou que já adiantou o trâmite.

Representantes de duas cooperativas que trabalham com produtos recicláveis e a coordenadora do evento Lixo Zero em Irati, Mara Parlow, acompanharam a solenidade. Não teve registro de participação do Conselho do Meio Ambiente.


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