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30/11/19 - 14h45 - atualizada em 30/11/19 às 15h19

Fração do Estádio Emílio Gomes vai a leilão na quarta-feira

Ação de cobrança penhorou o terreno do Iraty Sport Club em outubro de 2017. Lance inicial corresponde a 50% do valor de avaliação dos lotes

Edilson Kernicki, com reportagem de Rodrigo Zub e Tadeu Stefaniak 

Leilão da Vara Cível de Irati abrange uma fração do campo principal e do campo menor, os vestiários e as arquibancadas do Estádio Coronel Emílio Gomes (foto)

Uma fração do terreno onde está sediado o Estádio Coronel Emílio Gomes, pertencente ao Iraty Sport Club, vai a leilão na próxima quarta-feira (4). Dois leilões serão realizados pelo leiloeiro Fábio Barbosa.

Ouça o áudio desta reportagem e a entrevista concedida pelo presidente do Iraty, Cicero Moreira Gomes, e o representante do Conselho Deliberativo, Jorge Ruteski no fim do texto

Confira os documentos dos processos abaixo

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Na parte da manhã, será realizado um leilão referente a uma ação da Justiça do Trabalho, que será dividido em dois lotes. O primeiro, corresponde a uma área de 1.000 metros quadrados, avaliado em R$ 500 mil, terá lance inicial de R$ 250 mil. O segundo, uma área de 324 metros quadrados, é avaliado em R$ 160 mil, com lance inicial de R$ 80 mil. Os dois leilões serão realizados na Vara do Trabalho, que fica na rua Lino Esculápio, número 1260, no bairro Rio Bonito, a partir das 9 h.

Um segundo leilão, referente a uma ação da 1ª Vara Cível, ocorre na parte da tarde a partir das 14 h no Fórum da rua Pacífico Borges. O espaço a ser vendido no leilão compreende uma área entre a Rua Pacífico Borges e a Avenida Vicente Machado, com área de 14.848 metros quadrados, avaliado em R$ 7.424.000,00 em outubro de 2017. Em outubro de 2019, o valor da avaliação foi atualizado para R$ 8.187.263,36. O lance inicial também será de 50% do valor de avaliação do imóvel, ou seja: R$ 4.093.631,68.

O leiloeiro explica que se não houver interessados na aquisição dos lotes a serem leiloados, ou diante da hipótese de não haver um lance que cubra o lance inicial, o processo retorna ao juiz, que vai determinar um novo leilão ou a venda direta do imóvel. Um leilão ocorre quando a justiça determina a penhora de um bem da parte que perde a ação, para compensar o valor indenizatório, por ausência do pagamento determinado em espécie. O valor do lance vencedor fica na justiça até que o juiz determine o pagamento a quem é de direito.

Quem arrematar o lote pode pagar à vista ou parcelar o pagamento. Para o financiamento, é preciso dar um sinal de 25% do valor do maior lance, mais a comissão do bem leiloado. O valor restante pode ser dividido em até 30 vezes. Até pouco tempo atrás, a justiça não aceitava parcelamento em leilões. Entretanto, um lance à vista prevalece sobre um lance em valor a ser parcelado.

Se o arrematante optar pelo pagamento financiado, por exemplo, em 30 vezes, mas pagar somente até 10ª parcela e deixar de quitar o restante do lance, perde o valor que já foi pago, o valor da comissão e o bem volta a leilão. “O leilão judicial pode ser cancelado a qualquer momento. A venda judicial pode ser cancelada depois também. Tudo que eu vender em leilão, quem vende tem um prazo para recorrer e saldar o bem dele. Tudo pode acontecer”, destaca o leiloeiro.

Para participar dos leilões eletrônicos, o interessado deve acessar o site www.fabiobarbosaleiloes.com.br e fazer um cadastro, relacionando todos os documentos solicitados. No caso de leilão presencial, não é necessário se cadastrar, apenas comparecer ao local do leilão munido de toda a documentação requisitada no edital.

Ações judiciais

O leilão da manhã refere-se a uma ação trabalhista movida pelo ex-jogador André Dias, que foi contratado pelo Iraty em 2005 e teve o contrato rescindido três anos mais tarde. O ex-atleta cobra valores do Fundo de Garantia (FGTS), diferenças salariais, aviso prévio, 13º salário e multas. As diferenças salariais requisitadas pelo ex-jogador se referem ao fato de que seu contrato previa o pagamento de R$ 10 mil mensais, dos quais recebeu apenas R$ 3 mil, conforme notas apresentadas por ele.

O Iraty Sport Club foi condenado a pagar as diferenças salariais de R$ 7 mil por mês a partir da admissão até dezembro de 2006; a pagar os 30 dias de aviso prévio indenizado; 13º salário integral referente ao ano de 2006 e a dobra das férias vencidas relativas ao período aquisitivo 2005/2006, acrescidas da gratificação de férias. A carta precatória executória de penhora teve o valor atualizado, em 30 de junho de 2019, para R$ 445.108,93, pela 10ª Vara do Trabalho de Curitiba. A ação foi ajuizada em 11 de novembro de 2008, na Vara do Trabalho de Irati.

A justiça rejeitou o pedido de recebimento de 50% do valor referente à cessão do atleta pelo Iraty ao Al-Wasl FC, de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A cessão ocorreu entre 15 de julho de 2007 e 14 de julho de 2008, sob o custo de US$ 440 mil.

O leilão da tarde, que envolve uma área que deve abranger uma fração do campo principal e do campo menor, os vestiários e as arquibancadas do Estádio Coronel Emílio Gomes, resulta de ação cível movida por Leandro Sandri, filho do ex-treinador Lori Sandri, já falecido. O processo envolve a negociação do jogador Tiago Fernandes Cavalcanti, vendido ao FC Köln, clube da cidade de Colônia (Alemanha).

Lori alegava que tinha direito a receber 20% da negociação pela venda do atleta, a partir de um acordo firmado com a diretoria. Leandro, que representa o pai na ação, cobra esses valores.

O clube alemão teria comprado o passe do jogador por US$ 1.875.000,00, mas pagou apenas a primeira de cinco parcelas de US$ 300 mil, depois que o atleta foi “devolvido”, por não passar nos exames médicos porque teria uma perna mais curta que a outra, segundo o ex-gestor do Iraty, Sérgio Malucelli. Do valor pago, portanto, Lori teria direito a US$ 60 mil dólares.

Conforme a 1ª Vara Cível de Irati, a dívida em dezembro de 2018 era de R$ 2.396.452,95. Leandro requisitava o depósito em conta judicial da quantia de US$ 625 mil, que seriam pagos ao Iraty pelo Köln em 1º de janeiro de 2008, como terceira e última parcela da negociação do atleta Tiago.

O que diz o clube

Em entrevista no programa “Show de Bola” da Super Najuá, o presidente do Iraty Sport Club, Cícero Moreira Gomes (Xiru), relembrou que a ação cível foi iniciada há 12 anos, quando o Iraty vendeu o jogador Tiago ao Köln. “O presidente e o gestor era o Sérgio Malucelli e esses parceiros dele, ou do Iraty, entraram na justiça contra o Iraty porque não teriam recebido os valores, na qualidade de parceiros, que teriam esse direito. Esses processos correram na justiça durante dez anos e, finalmente, foi decretado a última sentença de que o Iraty teria perdido essa causa. Chegou até a nós essa informação, oficial, o edital do leilão e a penhora”, afirma Xiru.

Ainda que a opinião geral fosse a de que não havia o que ser feito, a diretoria alega ter ido atrás de soluções. O Conselho Deliberativo sugeriu à diretoria procurar o empresário Sérgio Malucelli. “Eu já tinha feito isso em várias ocasiões e não tinha obtido retorno. Achei que não seria muito produtivo, mas acabei tentando mais uma vez. Para nossa surpresa, o seu Sérgio Malucelli, de uma semana para cá, me ligou várias vezes e nos colocou em contato com o escritório jurídico dele, da SM Sports, de Londrina, para que colaborasse conosco numa tentativa de avaliar o que pode ser feito para beneficiar o Iraty para que seu patrimônio não fosse dilapidado”, conta. Malucelli teria colocado seu advogado, Eduardo Vargas, à disposição. A direção do clube deposita no ex-gestor a esperança de que algo ainda possa ser feito para reverter o quadro.

Entrevista do presidente do Iraty, Cicero Moreira Gomes, e o representante do Conselho Deliberativo, Jorge Ruteski

Ouça o áudio desta reportagem abaixo

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