Entretenimento Cultural

13/12/19 - 18h59 - atualizada em 13/12/19 às 19h11

Doutorando em Música pela UFPR se apresentou em Irati

Sul-Mato-Grossense Júlio Borba é adepto do chamamé em suas composições

Edilson Kernicki, com reportagem e fotos de Sidnei Jorge (Sidão)


No dia 28 de novembro, o músico Júlio Borba, que é doutorando em Música pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), se apresentou na empresa Center Som, em Irati. O evento foi destinado para músicos da cidade. Para acompanhar as apresentações, os presentes destinaram dois quilos de alimentos, que serão repassados para uma instituição de caridade da cidade.

O repórter Sidnei Jorge esteve presente e conversou com Júlio e também com o iratiense Everton Silveira, estudante de Música da UFPR.

Ouça a entrevista no fim do texto

Borba comentou sobre o quanto a música reflete a identidade cultural de um povo e compara as diferentes nuances entre interior e capital. “Quando estudamos a música no Paraná, conseguimos entender várias características identitárias e culturais do Paraná. Essas relações que acontecem a partir da música dizem muito o que somos como seres humanos. No paranaense, primeiramente, percebo uma grande influência gaúcha, como se compartilha essa cultura gaúcha aqui em Irati e em Inácio Martins, por exemplo. É um povo que sempre associa esse trabalho do campo à música. Em cidades mais urbanas, como Curitiba, há uma coisa mais cosmopolita: rock, jazz, reggae, todas essas manifestações, inclusive o chamamé e a polca paraguaia”, diz o Sul-Mato-Grossense.

O músico acredita que o chamamé aproxima as pessoas do campo, especialmente na fronteira entre o Brasil, Paraguai e Argentina. “Toda essa cultura campesina, que tem envolvida a música ‘6x8’, que é uma característica rítmica nossa muito importante, isso une as pessoas, que estão falando do trabalho no campo, das paisagens naturais do Brasil. Tem toda essa relação do chamamé com a polca paraguaia, a moda de viola, a música caipira, os fandangos gaúchos”, comenta. No entendimento do músico, ao mesmo tempo que a música é capaz de dizer sobre a cultura de um povo, ela causa impacto cultural e gera outras práticas culturais.

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“A música tem que ser pensada como uma parte da sociedade, ela fala muita coisa sobre o ser humano, pois é parte dele. Quando estudamos o que os seres humanos fazem, temos que pensar a música nesse sentido”, diz. A UFPR oferece variadas linhas de pesquisa relacionadas à música e outras áreas acabam estudando esse elemento cultural: a Antropologia, a Sociologia e a Comunicação, por exemplo.

O iratiense Everton Silveira, estudante de Música da UFPR, conta que a apresentação resulta de uma das dez disciplinas desenvolvidas ao longo do semestre letivo. “Para mim, foi uma das disciplinas mais importantes, em que eu pude entrar em contato com outros estilos. Sempre amei a música gaúcha, comecei tocando música gaúcha e nunca vou deixar de amar. Mas também é preciso conhecer novos estilos e novas formas de fazer música. É importante haver essa troca de cultura entre os países da América Latina, entre os estados do Brasil e isso tem sido muito bom dentro da universidade, por ser um local onde há diversidade de culturas e pessoas que vêm de outros países fazer intercâmbio ou de outros estados para estudar”, afirma.

No aprimoramento de técnicas de acordeon, Everton tem recebido o apoio do músico André Ribas, que tocou um tempo no grupo Minuano e hoje é músico local, e do próprio Júlio Borba. “Além deles, tenho o apoio de todos os professores da UFPR, que apesar de não serem professores de acordeon, todas as coisas que estudamos relacionadas à música, vai chegar o momento que vai emanar em música: seja a história da música, rítmica, leitura, percepção. Tudo isso vai refletir na forma de se tocar um instrumento. Essa experiência na universidade tem sido muito boa. Peço que os colegas músicos que tenham interesse, entrem em contato, para contar como funciona”, acrescenta.

Everton acredita que o desafio em aprimorar seu conhecimento em música tem sido se deparar, diariamente, com novas referências. “Todo dia alguém pergunta se já ouvi Klezmer, tango, Bach, Beethoven, Egberto Gismonti. São muitos nomes e referências de todos os cantos do Brasil e do mundo, que nos instigam a buscar novas sonoridades, harmonia, ritmos, melodias exóticas. Essa bomba de conteúdo novo, diariamente, às vezes, faz com que sintamos em meio a um mar aberto. Essa é a dificuldade que eu venho tendo, considerando que eu foquei minha vida inteira em tocar um estilo específico. Agora, que eu fui para lá e caí nesse campo aberto, tem tido coisa nova de todos os lados. Minha dificuldade tem sido unir tudo isso e tentar descobrir, qual, de fato, é meu caminho dentro de todo esse mundo musical”, avalia.

“O acordeon, assim como o violão, está sempre trafegando entre a cultura popular e a cultura erudita. A música brasileira, a música caipira, por exemplo, é muito associada ao acordeon. A música instrumental brasileira perpassa pelo acordeon, por exemplo, Sivuca, Dominguinhos, Hermeto Pascoal e assim vai. O próprio Dino Rocha, no Mato Grosso do Sul. Trafega em tudo, assim como o violão. As maiores referências de música popular têm nomes de violonistas, assim como as de música erudita. É muito interessante esse processo intercultural, as coisas são móveis, de repente, estão num lugar, de repente, em outro, e o acordeon tem muito disso”, observa Júlio Borba.

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