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12/02/15 - 11h23 - atualizada em 12/02/15 às 11h32

Muito barulho para pouca pimenta

Cinquenta Tons de Cinza, o filme, confirma a fragilidade narrativa do livro de E.L. James e não passa de uma história de amor batida
Gazeta do Povo - Isadora Rupp 

Grey e Anastasia: trama central do filme é a assinatura do contrato de relacionamento proposto pelo jovem bilionário


Ingressos

Procura por bilhetes é alta; classificação indicativa é de 16 anos

As redes de cinema já anteciparam parte do lucro que Cinquenta Tons de Cinza deve gerar. Na rede UCI, 40 mil ingressos foram vendidos semanas antes da estreia (5 mil deles em Curitiba).

Na rede local Cineplus, a sala do shopping Jardim das Américas é a mais procurada. A sessão da meia-noite, que aconteceu de ontem para hoje, teve ingressos esgotados dias antes. Por enquanto, de acordo com o gerente do cinema, Arthur Silva de Souza Júnior, os horários mais procurados são às 19h e às 21 horas – no fim de semana, as sessões estão concorridas.

Várias redes também ofereceram brindes, como um minipôster, para os fãs que viram a pré-estreia. No Cinemark, uma caderneta com imagens do filme é distribuída para clientes que pagarem os ingressos com um cartão específico da rede.

Ao contrário dos Estados Unidos, onde a classificação indicativa do filme é de 18 anos, no Brasil, a idade mínima para ver o filme desacompanhado é de 16 anos – menores de 16 podem assistir acompanhados de um maior responsável. A divulgação da classificação no Brasil foi feita no último dia 12 pela Universal Pictures e Ministério da Justiça.

Proibição

O governo da Malásia impediu o lançamento do longa-metragem no país. A Film Malaysian Censorship Broad proibiu a exibição de Cinquenta Tons de Cinza com o argumento de que a obra é “mais pornografia do que um filme”.

As fórmulas das histórias de amor são muitas. Porém, a mais batida delas é aquela em que a mocinha acaba “mudando” o cara que parecia incorrigível. Essa espécie de love story é o que permeia o aguardado filme Cinquenta Tons de Cinza, que tem estreia mundial hoje, e antecede o Valentine’s Day, o “Dia dos Namorados” nos Estados Unidos (comemorado no dia 14). Baseado nas obras da trilogia da escritora E.L James, que vendeu mais de 100 milhões de volumes em todo o mundo, o longa-metragem vem causando barulho há meses, sobretudo por conta dos fãs da escritora. Tanto que as redes de cinema no Brasil tiveram as sessões de pré-estreia estreia esgotadas há dias.

O filme dirigido por Sam Taylor-Johnson (O Garoto de Liverpool, 2009), aliás, foi um acontecimento na Berlinale: Cinquenta Tons teve pré-estreia no festival (sem fazer parte das mostras das produções que concorrem ao prêmio) ontem. Os ingressos para a sessão no Zoo Palast – um grande cinema de Berlim reformado recentemente –, se esgotaram em menos de duas horas. Dieter Kosslick, diretor do festival alemão, declarou em entrevistas que eles seriam “loucos de esnobar” o longa.

O roteiro é fiel às cenas da escritora, que exerceu um controle criativo sobre o filme (acordo cedido pela Universal Pictures, que pagou R$ 5 milhões pelos direitos de adaptação). Traz a inocente Anastasia Steele (Dakota Johnson), uma universitária que conhece por acaso o jovem bilionário Christian Grey (Jamie Dornan). Como favor à uma amiga, ela vai a Seattle fazer uma entrevista com Grey sobre o seu império para o jornal da faculdade. Há uma atração entre ambos, e ele logo vai procurá-la. No melhor estilo conto de fadas, e com vários clichês.

Apesar da resistência dos dois, o envolvimento vai crescendo. O machismo também é um ponto relevante e bastante presente: cada dia, surge um presente/surpresa nova para Anastasia, que vai cedendo aos caprichos do controlador Grey. Bem-sucedido nos negócios e com uma infância difícil, ele quer se relacionar apenas sob seus termos, com contrato assinado e sigilo absoluto sobre o “quarto vermelho”, onde guarda seus itens de sadomasoquismo.

As cenas eróticas, aliás, são bem mais amenas do que todo o barulho sugerido em torno delas. A trama fica no “suspense” em torno da assinatura do contrato por parte de Anastasia.


Dakota

Centrado no personagem masculino de Grey, que arrebatou os fãs dos livros de James, a atriz se sai bem e traz um pingo de complexidade ao seu papel: enquanto ele é mais previsível (o garoto-problemático com gostos excêntricos), ela é mais ambígua, num jogo entre a inocência e a descoberta de um mundo paralelo. O mérito da atuação, entretanto, não apaga certos cacoetes irritantes (como o de morder o lábio o tempo todo). É um bom filme de entretenimento, com uma trilha sonora divertida, que deixa a “pista” para as próximas sequências, ainda não confirmadas pela Universal, que deve se pronunciar após o resultado mundial das bilheterias.


Marketing

Fenômeno vai do aplicativo ao boicote

Lançado há alguns dias na página oficial de Cinquenta Tons de Cinza no Facebook, um aplicativo interativo, que teve mais de 2,8 mil acessos em menos de uma hora, possibilita que os fãs da trilogia criem um status de relacionamento com Christian Grey, interpretado no longa-metragem pelo ator Jamie Dornan. Quem acessa o app responde se está em um relacionamento sério, platônico ou complicado com o Sr. Grey e pode compartilhar a “escolha” nas redes sociais.

Essa é apenas uma das ações de marketing em massa do longa na mídia online – até quem quiser fugir do filme, dificilmente, irá conseguir. Aos usuários do serviço de streaming de música Spotify foi disponibilizado um vídeo especial de 30 segundos. No Twitter, os internautas que usarem a hashtag #cinquentatonsfilme receberão uma resposta automática com uma imagem de Grey. A expectativa é que a ação fique nos trending topics (os assuntos mais comentados) da rede.

Outros aplicativos, como Waze, Swarm e Foursquare também entraram na dança, e emitirão alerta para os fãs. O Waze, por exemplo, vai mostrar um ícone do filme quando o usuário estiver a até cinco quilômetros de um cinema.


Ativistas

Pelo Facebook, grupos que combatem a violência doméstica lançaram uma campanha – 50 Dollars not 50 Shades –para que as pessoas troquem o montante que gastariam para ver o filme (em ingressos, pipoca, transporte, etc) e o destinem para organizações que protegem mulheres vítimas de agressão.

Na página, as militantes argumentam que o filme glamouriza a violência contra as mulheres, e que o relacionamento abusivo entre os protagonistas é empacotado como uma “história de amor”.


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