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13/03/14 - 16h42 - atualizada em 13/03/14 às 16h46

Cauã Reymond interpreta um chefe do tráfico no drama de ação 'Alemão'

Longa retrata a ocupação da polícia carioca realizada em 2010 em uma das favelas mais conhecidas do Rio de Janeiro
MSN - Pure Cine (por Gabriel von Borell)


Cinco anos depois de trabalhar com Cauã Reymond no filme 'Se Nada Mais Der Certo', o diretor José Eduardo Belmonte se reuniu novamente com o astro do seriado global 'Amores Roubados', exibido recentemente na emissora, para contar o episódio real de 2010 em que a polícia militar do Rio de Janeiro criou um plano estratégico para ocupar um dos morros mais extensos e conhecidos da Cidade Maravilhosa: o Morro do Alemão. E o resultado disso poderá ser conferido nos cinemas de todo o Brasil a partir dessa quinta-feira, 13 de março, quando estreia em circuito nacional 'Alemão' .

No longa, que tem roteiro assinado por Gabriel Martins, um grupo de policias infiltrados no Morro do Alemão, Samuel (Caio Blat), Branco (Milhem Cortaz) e Danillo (Gabriel Braga Nunes), têm suas identidades reveladas e passam a ser procurados pelos traficantes de drogas da favela por todo o morro, que é dominado pelo chefe do tráfico local, Playboy (Cauã Reymond). Eles então se escondem na pizzaria do Doca (Otávio Müller), que também é policial, mas os bandidos nem desconfiam. E é aí que começa a caçada.

Entre os encurralados, ainda há a presença de Carlinhos (Marcelo Melo Jr.), que representa a figura que funciona como estopim para todos os conflitos, tanto de ordem emocional como física, estabelecidos dentro do escuro ambiente interno da pizzaria, que permanece o tempo todos de portas abaixadas e sob um claustrofóbico clima de tensão. E quando Mariana (Mariana Nunes) procura por Doca na pizzaria para cobrar a dívida dele por uma faxina que ela fez dias atrás, a moça, que é ex-namorada de Playboy e quem o bandido não esqueceu até os dias atuais, acaba sendo colocada pelos policiais escondidos no estabelecimento em uma posição de cárcere privado.

Enquanto Belmonte utiliza registros de TV realizados pela imprensa na época da ocupação feita pela polícia no Alemão, o cineasta recria o estado de espírito caótico dos policiais e dos traficantes na expectativa pelo iminente confronto. Ao mesmo tempo, Belmonte consegue trazer parte dessa tensão para os espectadores com a constante movimentação de sua câmera 'nervosa', que varia na intensidade de acordo com o grau de emoção e dramaticidade que as cenas exigem. Os ângulos utilizados pelo diretor também são bastante peculiares e parecem ter a intensão de aproximar o público da tensão vista na telona.

Também não seria equivocado dizer que 'Alemão', apesar de ser um filme de ação, apresenta certa preocupação com o caráter humano dos personagens. E isso pode ser traduzido perfeitamente na relação pai e filho do policial Samuel (Blat) e do delegado Valadares (Antonio Fagundes), que acompanha a ocupação do Alemão de longe e procura por notícias do filho que ele sabe que está escondido no morro. Quando o cerco da polícia à favela se fecha completamente, Playboy precisa decidir entre se entregar ou resistir, mesmo que isso signifique a sua morte.

Do outro lado, os policiais presos na pizzaria do Doca decidem usar Mariana como moeda de troca para conseguir escapar do território ainda dominado pelos traficantes. 'Alemão' pode usar a ocupação do Alemão apenas como pano de fundo para um roteiro mediano, mas de certa maneira é sempre interessante relembrar situações tão emblemáticas de um Rio de Janeiro que clama para sobreviver em meio a tantas mazelas sociais e políticas.

Cauã Reymond em cena de Alemão



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